Poesia em plena pandemia

Por Osman Matos

Sobre o livro

Poesia em plena Pandemia foi escrito durante a quarentena obrigatória da Covid-19 São ensinamentos, mensagens, aprendizado e reflexões das mudanças sociais ocorridas no mundo inteiro. Nunca mais seremos os mesmos.

Poesia em Plena Pandemia tem 100 páginas com 44 poemas muito pertinentes a esse momento sem precedentes em nossa contemporaneidade e que marca o início do século XXI, propriamente dito. A Covid 19 atacou os pulmões dos pacientes e todo o sistema respiratório da economia impaciente.

Mas socorreu a natureza, finalmente, que respira melhor sem poluentes. Osman Matos não se perde em indagações abstratas acerca da criatura humana. Situa-a, no aqui e agora, sem nenhum traço de miopia, na sua poetização de nossa vivência social e de nossas pulsões.

Através da agudeza desse olhar, o poeta sugere que enfrentamos duas pandemias, igualmente difusas, alastradas e ainda em célere expansão: a da Covid-19 e a do ódio, ambas letais: “Por que mente o homem?/ Tantas fakes News/ que são um afronte?/ Por que é que somos/ bem pior que o vírus, /propagando o ódio?// Mas que ódio, o homem./ Como pode, o vírus/ ter um aliado?

[…] Ou foi o demônio/ escondendo o jogo,/ e o destino, a fonte?// Vírus, homem, vírus. […] Vírus, homem, vírus./ Afinal, quem somos?/ Pra que tantos lucros? […] Homem, vírus, homem./ Afinal, quem somos?/ Pra que tantos muros? (MATOS, 2020, p.

37-44).” Efetivamente, o ódio não nos é propriamente desconhecido como a Covid-19. Desde a presença europeia, o ódio de um eu é dirigido aos que lhe parece diferentes de si, como se verifica numa das epístolas, do Pe.

Manoel da Nóbrega, na qual ele ressalta que o ódio dos cristãos, às nossas gentes, é a “raiz infernal de todos os pecados brasileiros” Febris, os versos de Osman Matos extrapolam o tempo atual instituído pelo vírus, nos levando a refletir sobre os males mais antigos, como o ódio, o racismo, as mentiras e a roubalheira que infectam nossa sociedade.

Seguindo as pegadas de Osman Matos, recorremos também a Castro Alves e exortamos, em uníssono: “Colombo! fecha a porta dos teus mares!”xix

Por fim, renovamos nossa homenagem a Dráuzio Macedo, à Fátima Cartaxo, a Aluísio Costa Filho, à Cleonice dos Santos, em nome dos quais expressamos nossa solidariedade a todas e a todos que pereceram vítimas da Covid-19. Esperamos que estejam, saudáveis e felizes, no reino por nós desconhecido.

Dra. Wilma Martins de Mendonça (UFPB)

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