Poemas Para Meus Filhos

Por K. F. Oelke

Sobre o livro

O livro é composto de poemas e alguns textos, que a primeira vista poderiam parecer heteróclito, mas é coerente. Começa com uma “Introdução: Montagem do cenário, De uma perspectiva eterna”, de algumas páginas e depois uma citação de William Blake.

O primeiro poema, “Ticket”, seria um bilhete de passagem para nossa época. O narrador tenta enrolar e seduzir a moça do balcão. Uns poeminhas… e logo em seguida um poema que se chama “O que Pinzón tem a ver com Iemanjá?”, que é um tipo de poema chave para o resto da coleção.

O narrador declara ser a encarnação de Vicente Pinzón, e se mostra um pouco louco, falando de macumba e de Iemanjá. Ela também fica doida para falar. É para se divertir. Tudo tem de se levar ao “deuxième degré”, que quer dizer, d’uma certa distância, com ironia.

O narrador está sempre brincando com as fadas. Mas também quero transmitir umas coisas que sei da vida para meus filhos. Segue um que foi bastante comentado, “Se você vê uma garota na esquina…”, que alguns dos leitores chamaram de putaria. A coletânea possui um humor nordestino.

Foi escrito em Gaibu, que fica a uns vinte quilômetros ao sul de Recife. Um que já passamos sem notar, “a história da luz, do mar, dos grilos, e do gato” foi pensado em Calhetas (outra praia ao lado de Gaibu).

O título “O que Pinzón…” veio na minha mente bem onde Pinzón poderia ter descoberto um novo mundo. Também é um conto de fadas. As prostitutas são fadas. Sou um escritor subversivo, e isso não posso deixar de lado.

Por exemplo, um poema que se chama “As Virgens”, escrito sob o efeito de LSD, coloco em relação a um poema de William Wordsworth. Blake, Wordsworth, ah, você diria, ele é um romântico. Somente que vem logo em seguida “A Floresta” que é simbolista, ou ao menos Baudelaireano.

Na verdade sou simbolista e decadente, ou às vezes surrealista. Dois poemas de sedução (subversiva segundo Jean Baudrillard), e chega a “Rapsódia”, um dos meus preferidos: como pode colocar em relação campo de cana na chuva e Proust?

Passamos “Uma Torre no Céu”, um pouco no estilo satírico de Jonathan Swift. Também aqui o narrador diz que ele não é louco e que os outros são, porque eles não percebem, ou querem ignorar, as “vibrações”. Chegamos a “Bola de Cristal”, meu preferido.

Pinzón realmente vem à tona com bastante influência do espanhol na “sua língua”. Por favor leia com cuidado: o som, o ritmo. Outros programas, e textos, onde falo do processo de criação; em inglês, com uma boa tradução. O leitor pode exercer seu inglês.

Até que tem um poema que se chama “Uma Lição de Inglês”. Lembra-se de que estou falando com meus filhos e lhes passando idéias bem “altas” com simplicidade. Mais uns programas e fadas. Agora um texto, um teorema filosófico, uma prova que espíritos e fadas não podem existir. Mesmo assim não desisto.

E finalmente outro “ticket”, aparentemente de saída, onde fica reiterado que o narrador pensa que é a encarnação de Vicente Pinzón, e todas as mulheres eram manifestações, emanações de Iemanjá. Obrigado pela atenção. K. F. Oelke Você pode visitar meu site a eroticaesthetic.com.

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