PODE ME CHAMAR DE LUA

Por Neide Mendes

Sobre o livro

Pode me Chamar de Lua

A Lua. Um astro enigmático que paira sobre nós, testemunha silenciosa de nossas vidas, influenciando as marés e, dizem, até mesmo nossos humores. “Pode me chamar de Lua” – uma frase que ecoa mistério, emoção e uma certa melancolia. Não se trata apenas de um livro, mas de uma constelação de ideias, sentimentos e vivências que orbitam em torno de um menino normal.

A Lua, com suas fases mutáveis, reflete a natureza cíclica das emoções humanas. Ora plena e radiante, ora oculta nas sombras, ela simboliza a instabilidade, a dualidade e a complexidade do ser.

“Pode me chamar de Lua” sugere uma identidade fluida, sujeita a transformações, um convite a aceitar as próprias contradições e a beleza da impermanência. Assim como a minha própria vida, que sempre me pareceu um quebra-cabeça com peças tortas, destinadas a nunca se encaixarem.

A chegada de Charles, no entanto, foi diferente: uma peça que deslizou para o lugar com uma perfeição tão perturbadora que instantaneamente acendeu um alarme dentro de mim.

Aquele aniversário de 15 anos, a promessa de uma juventude florescente, transformou-se no prenúncio de um pesadelo que me assombra até hoje. A Lua, assim como o amor, pode ser intensa e avassaladora, mas também trazer consigo momentos de escuridão e sofrimento.

“Pode me chamar de Lua” implica em reconhecer a beleza no imperfeito, em aceitar as falhas e as dificuldades que permeiam os relacionamentos. A cada dia que se passava, a felicidade inicial se contorcia em uma angústia crescente.

Seus sorrisos se tornavam nós na minha garganta, sufocando qualquer resquício de alegria. Um pressentimento sombrio me corroía: algo estava profundamente errado. Aquela paixão avassaladora era apenas a superfície de um abismo insondável.

A Lua também evoca um chamado à liberdade e ao desapego. “Não me reprima… Me tenha, mas não retenha…” – um apelo à não possessividade, à compreensão de que o amor verdadeiro reside na permissão para o outro ser quem é, sem tentar aprisioná-lo.

“Pode me chamar de Lua” sugere uma relação onde a presença não sufoca, mas ilumina, como a luz prateada que banha a noite. A escuridão espreitava nas sombras, faminta para nos consumir.

Olhando para trás, a nossa história se revela como um labirinto de enganos e traições, onde cada passo nos afastava mais da luz, nos lançando em um precipício sem fim.

Cada nova descoberta abria uma fenda ainda maior sob meus pés, enquanto eu, como um fantasma, seguia adiante, preso à teia da paixão e à vã esperança de um futuro que jamais existiria. Até que a verdade irrompeu, fria e brutal, despedaçando a ilusão que eu cultivava. A partir daquele instante, minha vida se transformou em um terror constante, assombrado pela pergunta que ecoa sem cessar: quem era o homem que eu amei?

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