Pirata

Por Marcelo Marcolino

Sobre o livro

Certa manhã de sexta-feira, Pirata é surpreendido com a chegada de uma visita inusitada. Passava das sete, ele havia tocado com sua banda na véspera e ainda dormia quando alguém bateu à sua porta. — Não acredito! — resmungou consigo mesmo. — Quem poderá ser a esta hora? Houve uma pausa.

Pirata revolveu-se na cama, torcendo para que o indesejável visitante desistisse e fosse embora, quando bateram de novo, dessa vez com mais força. — Droga! — rosnou, saltando da cama, trôpego de sono e caminhando erraticamente em direção à sala.

Abriu a porta com demasiada força, demonstrando todo seu mau-humor e deparou com uma moça muito bonita, de altura mediana, de cabelos castanhos claros até os ombros, olhos negros, a fitá-lo com um sorriso inocente. Os dois se entreolharam em silêncio. — Pirata? — perguntou ela, por fim.

O outro fez um gesto de impaciência e respondeu entre os dentes: — Sim, sou eu. — Muito prazer! — replicou ela, oferecendo a mão para cumprimentá-lo. O homem segurou a mão da jovem com certa relutância, apertou-a rapidamente e ficou aguardando.

— Me chamo Dominique — apresentou-se, mantendo o sorriso. Respirou fundo e, após uma pausa dramática, anunciou: — Eu sou sua filha.

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