Phrynops geoffroanus: Pesquisa no Brasil (Livro na Estante)

Por Claudia Reginan Bonini-Domingos

Sobre o livro

A ordem Testudines apresenta aproximadamente 335 espécies conhecidas no mundo atualmente (TURTLE TAXONOMIC WORKING GROUP, 2014).

Esses animais possuem características evolutivas peculiares, resultantes de milhões de anos de evolução e adaptação, selecionadas conforme as dificuldades impostas pela natureza.

Porém, os Testudines têm sofrido significativa redução no número de espécies no decorrer da sua história evolutiva, e há poucos estudos sobre seus exemplares, principalmente quanto ao perfil hematológico e bioquímico (GARCIA-NAVARRO; PACHALY, 1994; STORER et al., 2000).

Aproximadamente 20% das espécies de quelônios do mundo ocorrem na América do Sul, com representantes de oito famílias. Dessas, a família Chelidae, que inclui os cágados, é a mais diversificada, contando com 23 espécies, das quais 20 ocorrem no Brasil (SOUZA, 2004; BÉRNILS, 2010).

Essa ordem ocupa diferentes habitats, aquáticos ou terrestres, e seus membros de locomoção são adaptados e fortes. Os cágados, com hábitos aquáticos ou semi-aquáticos, vivem, em geral, em ambientes fluviais e lacustres.

Quelônios são animais de vida longa; no entanto, apresentam baixa taxa de reposição de indivíduos na população, pois possuem lentas taxas de crescimento e demandam longos períodos para alcançarem a maturidade sexual.

Espécies com estas características e história de vida são mais suscetíveis às pressões antrópicas e risco de extinção (POUGH; JANIS; HEISER, 2005).

Aproximadamente 47,6% das espécies de quelônios estão nas mais altas categorias de risco (extintas, extintas na natureza, criticamente ameaçadas ou vulneráveis), e muitas outras espécies que ainda não foram avaliadas também podem estar sob séria ameaça.

Dentre todos os grupos de vertebrados, os quelônios são os mais ameaçados de extinção, e apresentam um status preocupante de conservação (TURTLE TAXONOMIC WORKING GROUP, 2014).

Espécies de répteis apresentam declínio populacional numa escala global, sendo as principais ameaças para as populações desses animais, a degradação e poluição ambiental, introdução de espécies exóticas, doenças, uso insustentável do ambiente e mudanças climáticas.

Um dos mais graves problemas da ocupação humana, tanto a nível mundial como no Brasil, é a falta de sistemas eficientes de tratamento de esgoto urbano e industrial.

Por conta da expansão das fronteiras agrícolas durante os últimos anos, muitas áreas de distribuição geográfica das espécies se sobrepõem com as regiões de agricultura intensiva, e estas populações são prejudicadas pela perda, destruição e poluição do habitat, em favor da produção.

A contaminação química do meio ambiente, incluindo os efeitos de longo prazo e exposição crônica dos organismos, têm resultado no declínio ou desaparecimento de muitas populações.

O uso excessivo de fertilizantes, pesticidas e outros agroquímicos permanecem como prática comum, especialmente em regiões tropicais, podendo afetar significativamente várias espécies de répteis, principalmente as aquáticas.

Resíduos de pesticidas podem persistir em solos, e atingir os corpos de água, sendo transportados pelas chuvas.

A presente obra é resultado de estudos desenvolvidos pelos colaboradores do Centro de Estudos de Quelônios, na UNESP de São José do Rio Preto, e contempla diversos aspectos do estudo com quelônios, desde a revisão da chave de classificação com a distribuição dos animais até aspectos específicos de cada uma das áreas de atuação dos profissionais e métodos de estudo.

Esperamos com esse livro, contribuir com o conhecimento sobre os quelônios no Brasil e incentivar mais estudos na área. Os autores.

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