Pero da Covilhan: Episodio Romantico do Seculo XV

Por Zeferino Norberto Gonçalves Brandão

Sobre o livro

Eu não sei bem o que venho aqui fazer.

Não venho, de certo, apresentar Zeferino Brandão, pois eu proprio lhe fui apresentado, noviço em lettras, quando elle já era, na egreja litteraria, officiante de pontifical, bemquisto e bem acolhido dos sacerdotes maximos, com alguns dos quaes privava, de irmão a irmão.

Com effeito,—e sem que saiba dizer de positivo ha quantos annos, não devendo comtudo andar muito longe dos trinta,—foi na primeira casa que João de Deus habitou em Lisboa, na rua dos Douradores, e no proprio quarto do poeta, que Zeferino Brandão e eu nos avistámos a vez primeira.{VI} Era elle alferes ou segundo tenente d’artilheria, eu, cadete de lanceiros.

Vêrmo’-nos, e ficarmos sendo, logo ali, amigos velhos, foi obra de um momento.

Eu tinha na minha bagagem uns versitos, que apresentava a medo, e que um dia Manoel de Arriaga leu em voz alta, depois do café, na mesa dos hospedes, com a mesma emphase com que leria versos de Victor Hugo, conquistando-me uma ovação no meio d’aquelle auditorio ingenuo, e deixando-me a mim proprio deslumbrado de taes versos serem meus.

Coitados! Por onde andarão elles

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