Perninhas nas ancas: Marcas que ficam são marcas que curam
Por Leonice EigenmannSobre o livro
Chamo-me Leonice Pereira Eigenmann, nascida em novembro de 1956 na cidade de Mirassol/SP. Morei em São José do Rio Preto/SP. Saí do Brasil em 1984 permaneço fora até hoje.
A mais remota, linda e significativa lembrança que tenho é com meus 3 aninhos, foi tão forte que permaneceu intacta em meus neurônios. Vejo uma menininha, correndo desesperada, aos gritos, ao encontro de um gigante protetor, pois era isso que essa menininha tinha no coração.
E erguendo os braços, o gigante a eleva ao alto do peito em um abraço protetor acalentando-a; ela tinha visto os monstros terríveis entrando pelas portas de casa, no aconchego desses braços protetores ela se acalma e vê o pai ir ao encontro desses monstros na porta e receber os foliões da ‗Folia de Reis‘, e ela permanece grudada no papai, com o passar do tempo se acostuma com esse folclore.
Vive com a família: o papai, a mamãe e dois irmãos. Era bom, era porto seguro. Começa a mudar, da casa grande e mesa farta, para um prato de farinha de mandioca com óleo, talvez um ovo no meio e todos comiam assim. Tenho essas lembranças, em minha tenra idade, papai, mamãe e dois irmãos.
O ambiente vai se tornando cada vez mais humilde, precário, mas não tinha brigas, não tinha discussões, tinha harmonia e o gigante acolhedor inclinava a cabeça antes de comer, eu imagino hoje que era para agradecer mesmo o pouco na muita dificuldade.
A minha mamãe era silenciosa e distante afetivamente, não me recordo de afagos. Cuidava das crianças, da casa, ajudava na lavoura arrendada.
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