Peça teatral HOMELET: Uma comédia absurda.

Por V. R. Tedesco

Sobre o livro

Trocadilhos infames à parte, que tal transformar uma tragédia em uma comédia? Trata-se de uma tentativa ousada porque desde os tempos de Aristoteles, menosprezam a comédia. É evidente que isso é fruto não só da incapacidade de propriamente percebê-la como também do medo.

Sim, o humor é uma arma que nem todos sabem usar e que no máximo mata de rir, ou eventualmente, de raiva.

Pode até não parecer, mas partindo da mais marcante tragédia shakespeariana como referência dramática, foi possível chegar em “Homelet – Uma comédia absurda” só para vermos a ascensão de pseudo tiranos extremistas ao poder pelo mundo no século XXI sob uma perspectiva irreverente e irresponsável.

Por isso, qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência, é método.

Não são os humoristas que têm medo de políticos, são os políticos que têm medo de humoristas. A figura do bobo da corte é a representação arquetípica do humor; está caracterizada na obra pelo fantasma porque a censura simboliza a morte da comédia, desde tempos antigos até os dias de hoje.

Quem não a produz ou não a compreende questiona-se “qual é o limite do humor?”, essa pergunta está representada pelo rei que manda matar o bobo da corte.

Como lembrado por Paulo Gustavo, “rir é um ato de resistência” e a comédia resiste eternamente porque é a mais humana, profunda e teimosa das expressões artísticas. Mesmo morto, o bobo da corte é a primeira e a última personagem a aparecer para o público. Só porque quem ri por último, ri melhor.

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