Paralelo 14

Por Murillo Homem

Sobre o livro

Pragmático e de hábitos mesquinhos, Eduardo Belvedere decide se aventurar nos chapadões de quartzito do estado de Goiás em busca de uma oportunidade profissional extraordinária.

A despeito de suas expectativas douradas, o jovem da Capital vê-se em apuros quando, ao atravessar uma fenda no espaço-tempo, desembarca em um vilarejo arcaico, mas elevado e repleto de cidadãos proeminentes, controlado por forças expansionistas originárias do subsolo.

Enojado com o tratamento oferecido pelas células invasoras aos povos do sertão, Belvedere decide se unir a um grupo de bravos combatentes da resistência com a finalidade única de expulsar os agressores, que desejam colonizar o vilarejo e impor aos cidadãos a cartilha moral abjeta atribuída ao seu comandante supremo, que ocupa a posição de um deus para as hordas do subsolo — o Deus-Cego.

As artes, a poesia e o conhecimento científico são terminantemente proibidos no submundo, e por isso se manifestam como armas formidáveis, quando nas mãos dos povos da superfície, para subjugar as tropas conquistadoras.

Estas, por seu turno, utilizam-se de dogmas religiosos e ditames imorais como aríetes, a fim de subverter os habitantes da camada mais superficial do globo e, com isso, obter o controle total.

Uma ficção que une os cordames da realidade e da fantasia em um único ponto — como se a obra, intrinsecamente, fizesse as vezes de um espelho invertido ao refletir, em outro contexto, os conflitos econômicos, políticos e sociais que permeiam o nosso tempo.

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