Sobre o livro
Em Panspermia, Paulo Sá faz do contágio o seu modus operandi: seus poemas se proliferam de forma viral, obedecendo a processos internos e externos de mutação. Palavras, sentidos, imagens, ideias se replicam e se alastram por campos de significação que a literatura pouco ousa frequentar.
Em especial o terreno científico, normalmente apartado da literatura pelas fronteiras do entendimento.
Paulo Sá faz, assim, sua multi-semeadura, seguindo a ideia-imagem contida no título: sua linguagem faz da desestabilização a ferramenta de movimento que revolve os campos onde secreta a matéria de seus poemas. Com Panta rei!
como um de seus princípios norteadores, Paulo invoca por duas vezes Heráclito e seu rio movente como força icônica da abertura da vida – abertura no sentido daquilo que se mantém como aberto, mas também como o que se afirma como um princípio irredutível.
Afinal, do ponto de vista cósmico, nada cessa de principiar. Uma das consequências de ter a instabilidade como ferramenta principal é o estremecimento de lugares estabelecidos por alguns tipos de dualidades, em especial aquelas que procuram separar coisas que, de fato, não são separadas.
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