Panegyrico de Luiz de CamÁ´es

Por José Maria Latino Coelho

Sobre o livro

Senhores.–Quando o viajante, ao cursar as ermas e dilatadas planicies, onde entre o Eufrates e o Tigre, em seculos remotos floreceram as grandes e conquistadoras monarchias asiaticas, collossos na amplitude e no poder, revoca á mente scismadora as magnificas memorias d’aquelles soberbissimos imperios, encontra em redor de si a aridez e a solidão.

Mas as ruinas monumentaes dos antigos e majestosos edificios nos logares hoje desertos, onde outr’ora pompearam as cidades babylonias e assyrias, lhe estão ainda ensinando com a mudez eloquente das ruinas venerandas, a imagem da grandeza que passou.

Tudo é pequeno e transitorio n’este mundo, excepto a humanidade, a cadêa ininterrupta, por onde as successivas gerações umas ás outras vão transmittindo, accrescentado, o thesouro da commum civilisação.

Nascem, crescem, avigoram-se, florecem, decaem, e sepultam-se para sempre no tumulo da historia as nações e os heroes, por mais procéras e giganteas, que o destino lhes talhasse a estatura e as proporções.

Quando, após os esplendidos triumphos,–que em sua comparação, bem poderam envergonhar de pequenas e obscuras as celebradas conquistas e expedições dos povos dominadores na antiguidade,–volvemos os olhos para o que fomos, e caimos na contemplação do que de tanto poderio hoje nos resta, o espirito lastimado pela ingrata confrontação se entristece e se lamenta, de que passasse tão veloz a edade heroica de Portugal.

Como ao viandante solitario nos plainos da Mesopotamia, parece-nos que sómente em volta se nos deparam saudosas e melancolicas as memorias do glorioso imperio portuguez

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