Palavras sem retoques

Por Lucas Assed

Sobre o livro

A balada da Gota d’água

Era uma gota, mas não de chuva Era água, mas não era rio Era Orvalho em um cacho de uvas Era gota, sim, com muito brio Era como o veludo das luvas Era como lareira em dia frio! Era um cristal, em dia de viúva! Era delicada, cheia de brilho!

Naquele dia fazia chuva sim, Naquele dia tinha sol também, Naquele instante a gota caiu, fim! Naquele mesmo chão, não foi além, Daquele cacho estava livre, enfim, Daquela singularidade também, Daquela pureza, livrou-se assim Daquele Orvalho despencou: “plim”.

Era uma simples gota, somente, Era uma gota só, que assim caiu, Era a esperança da vida da gente, Era um espelho que se partiu, Era imagem de gente impotente, Foi profunda a lágrima que caiu! Era como um olhar, triste, e contente Foi bem-aventurado quem a viu!

Lágrimas de chuva simples e ternas Sorrisos tristes, tristezas felizes gotas despencadas serão eternas, íris, imperatriz das imperatrizes.

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