Sobre o livro
“Os Pupilos do Senhor Reitor”é uma ficção fortemente inspirada nos anos em que o autor frequentou o Liceu Nacional Alexandre Herculano no Porto, (pouco) antes do 25 de abril (1964-71).
É composto por 18 capítulos, cada um dedicado grosso modo a uma disciplina diferente e que evolui segundo um tempo que lhe é próprio. Em cada um deles, são apresentados um a dois novos alunos da mesma turma, que interagem com um a dois docentes de uma mesma disciplina em anos letivos distintos, e também com os alunos que já foram apresentados entretanto.
Em concomitância, desenvolve-se uma história de amor, marcada pela inexperiência dos jovens de um liceu estritamente masculino com o sexo oposto, pela tensão entre um amor platónico e os projetos de uma relação de longo prazo de acordo com os valores da época, e ainda pela insegurança e instabilidade próprias da idade em causa.
O livro recria com humor – de que os títulos dos capítulos são também apanágio – o ambiente na sala de aula na época. Encadeia com vivacidade discurso direto com discurso reportado. Apresenta docentes carismáticos, alguns com laivos de caricatura, que hoje já não poderiam ensinar como ensinavam, por melhores que eles tenham sido.
Numa época em que a autoridade dos progenitores primava pelo afastamento da escola, explora também a reiterada transgressão dos alunos aos limites que lhes eram impostos na sala de aula. Sugere a diversidade do quadro social então representado numa turma e os tempos livres desses jovens.
Invoca a cumplicidade e solidariedade entre eles, mas também o assédio de que os mais fracos eram vítimas e a violência interiorizada.
Porém, concentra-se sobretudo na privação do convívio com o sexo oposto e nos múltiplos escapes para compensar essa privação, bem como no papel preponderante da religião.
Começa com um capítulo que descreve o caminho do narrador de casa até ao liceu, em que atravessa uma “ilha” tripeira e se junta a outros colegas, com os quais improvisa uma curiosa brincadeira na rua.
O capítulo seguinte é dedicado a um jovem privilegiado, que, apesar de ter chegado ao liceu depois dos outros, consegue afirmar-se perante a turma.
Cada um dos capítulos que se segue é dedicado a uma disciplina distinta: religião e moral, inglês, francês, ginástica, matemática, desenho, história, canto coral, geografia, português, físico-química, trabalhos manuais, ciências naturais, latim, organização política e administrativa da nação e filosofia.
Termina com um breve epílogo, que invoca uma efeméride comemorada no liceu e refere pela rama o devir profissional de alguns dos personagens com os quais o leitor se foi familiarizando.
O humor da narração deveria propiciar uma comparação entre o ensino do Antigamente e o ensino do presente, juízo este que cada leitor efetuará, nele implicando as suas próprias experiências. A narração é explicitamente isenta no que toca a esse juízo.
A relevância do tema advém de que, independentemente da idade, é recorrente invocar recordações do meio escolar no convívio entre amigos. É pertinente lembrar como foi, para entender melhor como é agora ou porque agora é como é.
Acresce que muito se tem falado deste liceu em particular, dado o estado de degradação do edifício.
Concebido por um arquiteto de renome, foi objeto de prolongada intervenção no sentido de preservar a memória cultural que o mesmo encarna, e que culminará com a sua reabertura muito em breve, com a mesma valência.
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