Sobre o livro
Eis que a experiência limitada desta vida chega ao final. Tão certa e tão misteriosa.
Aquele aperto no estômago em simplesmente tocar no assunto é algo até natural, afinal, quem pode gostar de estar na espera (da morte) e não saber a senha (quando), ou, como diria aquele poeta do bar da esquina, somos todos passageiros neste ônibus louco e ninguém sabe em que ponto ou parada vai descer.
Ela (a morte) não se importa com o modo ou com as práticas, muito embora alguns modos e práticas acelerem o processo, ela é indiferente como todo buraco negro o é.
Porém, o velho homem, na tua incessante mania de personificar os teus enredos, transformou a morte num vulto negro, de capa esvoaçante, olhos translúcidos e uma afiada foice.
Ora, neste cenário é natural que este “ser” em algum momento encoste a foice, nunca castigado pelo tempo, nunca envelhecido ou fora de moda (afinal, o preto é sempre básico), mas talvez cansado da arte sublime de ceifar.
Ele recosta-se na poltrona de nuvens e se deleita na coletânea derradeira, uma coletânea de poemas, daquelas que alguém lê aos pés da lápide que guarda o corpo agora sem vida.
Aquelas escritas pelo próprio cérebro enquanto vívido e lúcido, aquelas onde a máscara da vida aparente se rende àquela verdade escondida nos ventres da alma, aquelas cartas que num concurso de redação se chamariam: “O que eu vi da vida”.
Pois bem, este livro é uma coletânea destes retratos escritos, com a arrogância irrecusável de olhar as vidas através delas…
Nota 1: Todos os personagens são obras de ficção.
Nota 2: Toda a ficção é obra inevitável da vida real.
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