Os fujões

Por Vóssio Brígido

Sobre o livro

OS FUJÕES

Vóssio Brígido

Numa de nossas viagens, após o almoço numa parada perto da cidade de Cândido Sales, que ficava Bahia, poucos quilômetros depois da divisa com Minas Gerais, quando quase estávamos entrando no caminhão, três crianças, um menino que aparentava nove anos e duas meninas de mais ou menos sete e cinco anos, se aproximaram de nós.

O menino se dirigiu a Suzana e perguntou:

– Moça, para onde vocês vão?

Suzana respondeu:

– Meu filho, nós vamos para muito longe. Por que você me perguntou isso?

O menino respondeu:

– Nós estamos fugindo de casa, porque mamãe e papai não gostam de nós, eles nos dão muitas pisas e queremos ir para um lugar bem longe e legal. – Com toda ingenuidade.

Reparamos que eles estavam com várias marcas roxas nos seus corpos, arranhões e ferimentos parecendo beliscões feitos por unhas.

Escutando aquela conversa das crianças com Susana falei:

Suzana vou ao restaurante me informar o que eles costumam fazer nesta ocorrência.

Quando voltei, encontrei Suzana ainda conversando com eles. Falei com ela, afastando das crianças, e disse que já havia telefonado para Delegacia da cidade, e eles mandariam uma viatura para verificar e tomar as providências necessárias.

Suzana me falou:

– Eles me falaram que moram mais de uma hora, a pé, na direção da divisa.

Esperamos um pouco, e logo chegou uma viatura da Policia Civil, com dois policiais.

Eles conversaram com as crianças, e decidiram que iriam até a casa de seus pais verificarem. Se fosse necessário, encaminhariam a situação para o Conselho Tutelar.

Um policial se dirigiu até nós, e pediu-nos para acompanhá-los até a residência das crianças em nosso caminhão, porque a sua viatura estava agora lotada.

Concordamos, e o acompanhamos, e em menos de dez minutos, chegamos a casa deles, que ficava numa estrada de terra transversal a rodovia. No local tinha um pequeno agrupamento de casas modestas.

Ao paramos na frente da casa, dois elementos assustados, saíram correndo, pulando o cercado e fugindo para o mato. Um policial sacou a arma ao sentir que o local era perigoso e muito suspeito.

Entramos na casa, havia uns cinco homens e uma mulher, todos bêbados, parecendo drogados e com forte cheiro, no ambiente, de maconha.

A mulher bem alcoolizada, parecendo ser a mãe das crianças, perguntou repreendendo as crianças:

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