OS EXPLORADORES: Isso agora tem o meu nome (histórias do mundo)

Por daisy Aguinaga d'Eibar

Sobre o livro

Existe algo de profundamente poético — e muitas vezes irônico — em um nome humano ser “carimbado” em algo tão eterno e imutável quanto uma montanha, um estreito ou um rio. Essas figuras geralmente carregam aquela mistura clássica de obsessão, ego e coragem.

Um homem olha para uma baía desconhecida e diz: “Isso agora tem o meu nome”, ignorando que o lugar já existia e tinha nomes locais há milênios. Durante séculos, o homem europeu lançou-se aos abismos azuis dos oceanos armado não apenas com canhões e bússolas, mas com penas e tinteiros.

Havia uma crença silenciosa e persistente nos conveses de madeira: a de que o desconhecido só poderia ser domado se fosse batizado. Este texto é sobre esse batismo — e sobre o que acontece quando a água benta da civilização seca, revelando as cicatrizes que ela tentou esconder.

Escrever sobre exploradores e seus acidentes geográficos é, em última análise, escrever sobre o medo da nossa própria finitude. Nomeamos montanhas e mares para não sermos devorados pelo silêncio da paisagem.

A vaidade do batismo atinge seu ápice quando o explorador percebe que o nome é a única coisa que sobreviverá a ele. O destino final de toda vaidade cartográfica é tornar-se um endereço.

Apesar da obsessão europeia em carimbar a terra com os nomes de seus reis e de si mesmos, a geografia possui uma espécie de paciência geológica.

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