Os Estados Sublimes

Por J. E. Marinho Cardoso

Sobre o livro

De certo modo, todos nós queremos ser felizes e preterimos qualquer sofrimento. Até os insetos e os outros animais expressam tais comportamentos inatos. Mas, nós, os seres humanos, temos a força do pensamento, que nos permite exercer a capacidade de discernir entre o bem e o mal.

E é justamente através deste potencial que podemos construir um caminho espiritual, que além de possibilitar a conquista da felicidade verdadeira, também permite reconhecer e reduzir as fontes do sofrimento, e no seu auge, culmina na superação de todas as dificuldades e insatisfações.

Este livro descreve maneiras de cultivarmos esses Estados Sublimes que têm um grande valor prático em como nos relacionarmos com o mundo. Estados que geram harmonia e boa vontade com os outros e com a sociedade como um todo. Que têm reflexo nas relações e nos fazem apreciar os outros.

Que ampliam nosso círculo de cuidados, incluindo tanto nossa família e amigos imediatos, como aqueles que enxergamos como pessoas exemplares, estranhas, inimigas ou de quem desgostamos. Veja a seguir as quatro propostas desta obra:

Primeiro, apresentar outra maneira de perceber a natureza humana, que não adote o velho paradigma do “cada um por si”, vastamente empregado na tentativa de explicar as nossas ações pelo prisma do egoísmo, da competição e do consumismo.

Mas reconhecer o altruísmo como um instinto natural dos seres humanos, visto que é um equívoco pensar que somos seres eminentemente egoístas. Existe altruísmo em larga escala, que costumamos ignorar.

Em verdade, podemos afirmar com segurança que o altruísmo, bem como o egoísmo, sempre estiveram presentes na história humana. E como o Budismo vê o egoísmo, altruísmo, consumismo e a felicidade.

Segundo, considerar o sofrimento na experiência humana. Há, certamente, discrepância entre as nossas aspirações e a realidade; a vida está cheia de imprevisibilidade e paradoxo, alegrias e tristezas, sucessos e fracassos.

E quando existe sofrimento humano, seja de que tipo for, este resulta da incongruência entre vontades e circunstâncias. Não podemos escapar de nenhuma dessas experiências no vasto terreno de nossa existência.

Elas são uma parte da vida que não pode ser negada, e a partir do seu reconhecimento, poderemos trilhar o caminho que leva a remoção das causas ou raízes do sofrimento, culminando na sua extinção.

Terceiro, estimular o estudo do Dharma. Os ensinamentos Budistas são verdades fundamentais que combinam estudo e prática.

Instruções que derivam do próprio Buda e que chegam agora até nós por meio de uma contínua tradição Budista de praticantes; que são verdades em todos os lugares, em todos os tempos e, para todas as pessoas.

Entretanto, o Dharma deve ser estudado de forma correta, não só para que seja aprendido e aplicado habilmente, pois difere enormemente de nos preocuparmos apenas em acumular conhecimentos, investindo numa prática milenar chamada meditação, que se mostra indispensável ao correto estudo e aplicação do Dharma.

Quarto, refletir sobre a natureza das nossas intenções e ações, explorando as boas práticas Budistas que abrem o coração, seja porque aprofundam nossas relações com nós mesmos e com os outros, ou porque cultivam a gentileza, a paciência e a compreensão.

Atitudes que envolvem o desenvolvimento de uma mente bondosa e de um coração afetuoso, ou seja, cultivar condutas altruístas que se caracterizam pelo emprego pleno e continuado de práticas que reduzem nosso autopreocupação, próprias para servir e beneficiar os outros.

Somos instruídos e motivados a regar as sementes dos Estados Sublimes – bondade amorosa, compaixão, alegria altruísta e equanimidade – presentes na nossa consciência.

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