Sobre o livro
Em ORÁCULOS PARA UM MUNDO INVISÍVEL, Cláudio Aguiar volta ao cenário da poesia cultuando, de preferência, questões filosóficas sobre a existência humana.
Como se o poeta desejasse indagar sobre o sentido da vida e do mundo ou mesmo debater com o leitor, deixa transparecer suas convicções a partir do sugerido pelas epígrafes que antecedem a exposição dos poemas.
Nesse sentido, sobre o ilusório ou até pecaminoso da explicação das coisas, sobretudo quando entram aspectos da fé ou da crença, insinua existir certa embriaguês que afeta a mente do eu poético, como se fora o efeito dos bons vinhos, principalmente quando decide escrever sob o impacto da sensibilidade.
No entanto, o poeta confirma a ideia de que o coração vence a técnica da arte, ou ainda quando se convence de que a leitura será capaz de estabelecer eficaz liame entre o poema e a lógica do leitor.
Há neste livro de Cláudio Aguiar importante desafio de natureza formal, quando o poeta cearense na primeira parte aceitou o encargo de expressar o drama causado pelos estragos de um asteroide que caiu sobre a Terra.
Para tanto, recorreu a uma Coroa Poética, como se quisesse juntar o inexplicável da mecânica universal com a intrincada harmonia do poema. Não é fácil nem usual a prática desse recurso na poesia brasileira.
Os poetas Afonso Félix de Souza, Geir Campos e Edimir Domingues criaram os melhores exemplos de Coroas poéticas de nossa literatura.
A estrutura da Coroa consiste na apresentação de quatorze sonetos interligados por um tema e, ainda, pelos vínculos de versos na seguinte disposição: o verso que fecha o primeiro soneto inicia o segundo soneto; o que fecha o segundo inicia o terceiro soneto e assim por diante até o décimo quarto soneto, cujo último verso é o primeiro do primeiro soneto.
Tudo isso objetiva a formar o décimo quinto soneto, ou seja, a Coroa Poética, integrado pelos quatorze versos que terminaram e iniciaram os sonetos e tendo como fecho o verso que a começou, o qual, como já dito, coincidirá com o último do décimo quarto soneto.
Além da Coroa Poética abordando o pesadelo de um ser humano diante do monstruoso estrondo catastrófico do asteroide, o poeta versou sobre vários temas vinculados às ideias sobre Os Invisíveis, A Boca do Mundo, Respingos na Vidraça e Zoodíaco.
Esses temas, sem dúvida, tocam de perto as mais inquietantes dimensões da existência além do simplesmente humano.
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