Olhos de Louça Sem Polir

Por José Humberto da Silva Henriques

Sobre o livro

Quando perguntado sobre esse livro, Henriques conta uma história distinta sobre ele. Não que seja incomum a história, mas apenas distinta.

Nos tempos em que ainda enviava seus textos para concursos literários, o autor enviou esse livro para o Prêmio Cidade de Belo Horizonte e houve um quiproquó absurdo e estranho por ocasião da escolha do livro vencedor. O júri estava muito alarmado com esse livro, Olhos de Louça Sem Polir.

O regulamento desse concurso dizia que somente poderia haver um único vencedor e o prêmio em dinheiro, portanto, seria indivisível. E seriam inadmissíveis as menções honrosas porque isso ia radicalmente contra os objetivos e méritos do concurso. Isso era dado do regulamento. Estava escrito.

No mês de junho daquele ano saiu o tão esperado resultado. O autor J Humberto Henriques recebeu um telefone da Secretaria de Cultura de Belo Horizonte e a secretária avisava que ele tinha recebido uma menção honrosa, mas que ela não tinha nada que ver com o caso.

Achando estranho esse procedimento e a secretária a se esquivar, Henriques procurou saber dos detalhes. Estranho demais, já que não seria possível haver menção honrosa. Ligou, ele mesmo, para a secretária.

E recebeu dela a informação de que ganhara este concurso o poeta Adilson Pereira de Almeida, com o livro Veludo Azul. Mas que ela, voltava a reiterar a sua mesma questão, não tinha nada que ver com esta história. Ela lavava as mãos.

E que o autor se contentasse com a menção honrosa porque não havia outro jeito. Fora a solução para o caso.

Havia três jurados para esse concurso. A secretária, tomada de espanto e não querendo assumir a responsabilidade para o que ela mesma chamou de tragédia, disse ao autor que entrasse em contato com eles para esclarecimento. Ela parecia especialmente e particularmente injuriada com a situação.

Henriques se lembra do nome de dois deles. O terceiro se lhe escapa. Um era Antônio Barreto e o outro era Carlito Azevedo. Henriques fez o contato e obteve a resposta do jurado, creio que era Antônio Barreto.

De forma bem simples e prática o homem disse que eles escolheram por bem dar a menção honrosa ao poeta porque o livro dele era muito erudito e não podia ganhar o prêmio. Tal a razão, tal a fala, tal a verdade sobre os fatos. Muito erudito para ser premiado.

Era a primeira vez que se ouvia um despautério desse porte.

O autor esteve boquiaberto por muito tempo. Porém, sabia que nada havia que ser feito. Quando acontece uma coisa desse tipo, buscar o fio da meada é a mesma coisa que achar o palheiro sem a agulha. Entretanto, isso é apenas uma curiosidade que deve ser embalada com os nomes dos responsáveis.

Algum tempo depois, da mesma maneira esse Olhos de Louça Sem Polir foi premiado em um concurso proposto pela Fundação Padre Anchieta. Isso foi acontecimento sem a menor relevância. Sequer a Fundação anunciou ao autor que ele havia sido contemplado.

A notícia surgiu na imprensa como um sopro e o autor só tomou conhecimento dela porque um aluno da UNICAMP daqueles dias resolveu comunicar o fato ao poeta. Coisas assim, todas sem importância.

Sobre a Fundação Padre Anchieta, ninguém mais tocou no assunto e a conversa se perdeu como se nada vezes nada tivesse acontecido. A história fechava seu ciclo.

É esse um livro sintético, ao gosto de uma leitura ímpar. Como quase todo livro tem uma história, essa é a que compete ao expressivo Olhos de Louça Sem Polir. Um livro que os jurados desses prêmios provavelmente gostariam de ter escrito.

Mesmo que ele seja muito erudito, o que contraria – segundo a opinião deles, deve-se imaginar, o gosto pela leitura da Poesia em sua lavra mais aprimorada. Nesse livro o escritor apresenta um compêndio de graça exemplar. Aqui ele usa os argumentos mais sonoros para a manifestação estética.

Não se furta ao absurdo das metáforas mais espantosas. Ao modo de um expressionismo cheio de facetas de caleidoscópio.

Segundo o autor, esse livro traz gosto ao seu criador. Desde os seus primórdios, ainda

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