Sobre o livro
O
escritor chega à sua maturidade plena na arte complexa da escrita e da moenda das palavras. Dizer esse testemunho quando se trata da obra de Humberto Henriques é uma ousadia e mesmo um tipo de sentimento apressado, já que o escritor continua a produzir com algum afinco.
Ocorre que esse romance, O Zoológico de Schrödinger é uma veraz surpresa quando se trata de encarar a ficção como esse fascículo da realidade que não se desvincula de seus próprios meios. Não é muito fácil tratar, do ponto de vista crítico, de um romance como esse.
Cremos que mesmo é deveras muito perigoso assumir tamanho compromisso, esse de deslindar a alegoria e a sintaxe, a dinâmica extraordinária que se revela em texto desse porte. Talvez estejamos diante de um dos livros mais imponentes e precisos – preciosos – que já foi escrito em terras brasileiras.
Segundo o crítico de Cinema e Literatura, Guido Bilharinho, grande nome das escritas do Triângulo Mineiro, Henriques carrega uma obra inesgotável e imprescindível em toda História da Literatura Brasileira.
Chega mesmo a estender o nome do autor ao âmbito da Literatura Universal, de tal sorte e profundidade, que o escritor se insere entre aqueles que mais novidades e evolução propôs ao estudo das Artes Plásticas no Mundo.
Diante desse argumento e complexidade de assunto, a ALTM – Academia de Letras do Triângulo Mineiro -, liderada por João Eurípedes Sabino e sob conselho de Guido Bilharinho, propôs a inserção do nome de Henriques para a indicação ao Prêmio Nobel de Literatura.
Segundo Guido, conforme explanado na revista Silfo, número 1/2023, trata-se de uma provocação ao estudo das Letras tal indicação. Dito o fato, por ser Henriques o maior escritor brasileiro de todos os tempos.
Parece não haver exagero algum em tamanha afirmação, posto que pesado é esse fardo, já que o escritor não cessa de produzir e tal produção não se ata somente ao volume, mas ao arsenal de grande qualidade da obra em causa.
Depois de entender que a vastidão dessa obra suplanta as expectativas do próprio leitor, cabe sempre ao analista de alguma coisa que nos é legada como fator de contribuição, dizer que criação como esta passa a exibir uma substancia de genialidade que é sempre discutida quando se trata de observação de parâmetros.
O Zoológico de Schrödinger traz à tona a Literatura em sua essência mais aprimorada. A história desenvolvida no bojo desse romance é de conclusão absurda. Seu início é contundente e seu intermédio não chega a ser um espetáculo de capa e espada.
Todavia, o conjunto apresentado – assim como em William Faulkner, em Palmeiras Selvagens – acaba por desenlaçar um universo de informações que lidam com todo o envolvimento cósmico do qual se possa ter notícia.
De uma maneira que poderia ser chamada de genial, o escritor associa toda a essência divina ao estabelecimento e status quo de um mundo cuja dinâmica está muito além da determinação dos humanos.
A condução da vida e da morte estão a cargo de um espectro de luz que não pode ser refutado porque, como na divina essência de Odin – tudo se transforma e se detém à medida que o todo obedece ao trânsito das ordens inexoráveis.
O trânsito do escritor entre os entendimentos do Universo, a dizer de outro modo, parece ser moldado nessa maturidade e na crença de fatores que escapam, de alguma maneira quase dolorosa, à compreensão humana.
Pode se vislumbrar aqui, depois de tantos livros estabelecidos como reais e todos já publicados, que Henriques chega a um ponto de menor evasão e de criação madura.
Da forma como se diz que um escritor está sempre em busca de se suplantar, nesse caso muito especifico e particular, encontrar a integração entre o pensamento e a capacidade de estruturação de uma Literatura sem jaças. Isso justifica a plenitude que levou o escritor Henriques ao
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