Sobre o livro
A impagável alegoria de um visconde que, em guerra, é dividido ao meio por uma bala de canhão. As duas metades – uma, malvada ao extremo; a outra, boa até o fastio – voltam a seus domínios para atormentar os súditos.
O visconde partido ao meio, publicado originalmente em 1952, veio a compor com O cavaleiro inexistente e O barão nas árvores uma trilogia a que Italo Calvino (1923-85) chamou de Os nossos antepassados, uma espécie de árvore genealógica do homem contemporâneo, alienado, dividido, incompleto.
É a história de Medardo di Terralba, o voluntarioso visconde que, na defesa da cristandade contra os turcos, leva um tiro de canhão no peito, mas sobrevive, ficando absurdamente partido ao meio. A metade direita atormentada pela maldade, e a esquerda, pela bondade.
“Ainda bem que a bala de canhão dividiu-o apenas em dois”, comentam aliviadas suas vítimas.
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