O Viajante: Volume I

Por Paulo Pupo

Sobre o livro

Os caminhos percorridos pelo Viajante são interiores, espirituais, a viagem é pela alma, pela mente humana, pela vida…

Escrevi este livro, fundamentalmente, para mim mesmo… Meus dramas pessoais, minhas questões existenciais, minha busca por um sentido qualquer para a minha vida, por várias vezes provocavam um desespero tão escuro e profundo que eu era levado à beira do suicídio…

E nada me confortava, nada me satisfazia, preenchia meus vazios, nada… Nem religião, nem psicologia, nem filosofia, nem literatura de autoajuda…

Tudo o que eu ouvia ou lia era ineficaz (e creia, caro leitor, eu li muito antes que os meus 20 anos de idade me esmagassem); tudo me parecia por demais superficial, fútil, rarefeito, incapaz de sustentar o peso e a densidade dos meus dramas (exceção a alguns textos cujo pessimismo me fazia sentir uma certa afinidade, de alguns autores como Omar Khayyam ou Nietzsche)…

Mas o que era denso não era amplo o suficiente pra mim, e o que era amplo não era denso o bastante. Nada me alivivava. Daí ter escrito este livro. De mim para mim. Escrevi, fundamentalmente, o que eu achava que precisava ouvir. Pra poder continuar vivendo.

Pra poder suportar o que eu achava que era o peso da vida, o peso do mundo. Escrevi de mim pra mim, criei mentalmente o “Viajante” para que fosse um outro “eu”, um “eu” de iintelecto forte, corajoso e ousado que fosse meu conselheiro, meu tutor, meu guia. Pra poder continuar vivo.

Não tinha intenção de publicar, a princípio; não era pra ser um livro.

Mas já havia escrito mais de dez capítulos quando me caiu nas mãos o livro “Cidadela”, de Antoine de Saint-Exupéry, e eu atinei que o que eu escrevia poderia, sim, se tornar um livro; as semelhanças eram muitas (e continuam sendo), e o leitor há de notar: na conjugação verbal, na variedade da temática, na estrutura geral dos capítulos (escritos com grande intervalo de tempo entre um e outro), na impessoalidade do que na realidade é pessoal, no caráter metafórico/alegórico das situações e personagens (no meu caso, inclusive, porque temia que meus pensamentos e/ou sentimentos particulares, uma vez colocados no papel, caíssem em mãos alheias e se tornassem públicos), talvez até mesmo na linha de raciocínio adotada…

É grande, portanto, a influência desse livro no meu; foi o pontapé inicial, o estalo, o gatilho, a inspiração que me fez decidir publicar minhas viagens introspectivas; criei o “viajante” como um “eu” alternativo que me servisse como suporte nos meus momentos mais dramáticos, e se metaforizei diálogos, situações e personagens, como falei, foi para me preservar naquilo que me era mais íntimo…

Porém, ainda enquanto escrevia, ia percebendo que aquilo que eu considerava particular, individual, era de fato dotado de um imenso grau de universalismo, que meus dramas pessoais não eram tão particulares assim… E isso também pesou na minha decisão de publicar.

Mas talvez a maior e mais evidente diferença entre este livro e o de Saint-Exupéry resida no fato de que “Cidadela” é um livro póstumo, e “O Viajante” não o é. Ou seja, o que escrevi de mim pra mim, pra não correr o risco de me suicidar, funcionou.

Estou vivo Que a leitura deste livro possa também ser útil a outros espíritos irriquietos como o meu.

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