O Vale das Almas: Uma jornada espiritual no fim do mundo

Por Igor Hanna

Sobre o livro

Um épico de poeira, luto e esperança. Onde o mundo acabou, mas os fantasmas ainda andam — vivos ou não.

Quando o mundo desmoronou, ele não gritou — apenas ficou em silêncio. Um silêncio espesso como lama, que escorreu pelas ruas de Lisboa e apagou os nomes, os rostos, os mapas. Mas mesmo no fim, alguém falou. “A cura está ao norte, nos Alpes. Sigam o rio Danúbio.”

Essa frase não veio de um profeta. Veio de um rádio velho, sujo de ferrugem e chuva ácida, nas mãos de uma mulher cansada demais para continuar, e teimosa demais para parar.

Vesperina Almeida carrega mais do que cicatrizes. Carrega Coimbra nos olhos. O cheiro da carne queimada ainda mora em seus cabelos. Mas ela segue. Com ela vão Cassiano, que grita para não chorar, e Luzia, que fala com plantas como se fossem parentes — e talvez sejam.

Eles atravessam o que restou da Europa. Um continente de cidades ocres, cadáveres esquecidos, e florestas onde as árvores murmuram coisas que ninguém mais deveria ouvir.

O Vale das Almas é uma fábula brutal sobre o que resta quando a fé apodrece, quando a memória sangra e quando a esperança custa mais do que a morte. É o fim do mundo contado como se fosse uma velha lenda de aldeia. Cheia de vento, de terra molhada, de gente que já morreu mas continua andando.

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