Sobre o livro
Às vezes me pergunto até onde vai nossa capacidade de ser empático. Será a empatia sempre genuína ou, em alguns momentos, uma tentativa de nos colocarmos no lugar do outro sem realmente saber o que é estar ali? A dor do outro é e sempre será do outro. Podemos sentir algo, mas é uma projeção e por isso, é preciso respeito ao acessá-la.
No quarto de um hospital, muitas dores não são visíveis. E é aí que, como profissional, mas principalmente como gente, entende-se: é preciso pedir licença. A empatia mora nesse gesto, no escutar, no acolher, no permitir-se sentir, aprender e se tornar mais humano. Mora no barulho, no silêncio, e na sensibilidade para saber quando cada um deve aparecer.
Ela também mora num rosto pintado, num jaleco colorido, quando se veste coragem para espalhar mais vida. Neste livro, a palavra literária nos convida a esse acesso aos corredores, leitos e corações, tanto dos pacientes quanto dos palhaços. A dor, por instantes, dá lugar a outra expressão: o sorriso.
Um sorriso que dá plantão há mais de duas décadas, e agora ganha forma em conto, poesia e prosa. Mas, para embarcar nessa leitura, é preciso pegar o trem. Aquele que sai de Coité do Nóia e nos leva a lugares onde a emoção não se explica, mas se sente. Lágrimas virão e virão quentes, verdadeiras.
No percurso, vemos fadas, duendes, princesas, dinossauros. Também vemos diagnósticos. Duros, por vezes definitivos. E não se esquecem, porque até a fantasia precisa ser personalizada. E é preciso talento mas, sobretudo, amor para saber como fazer isso e como contar essas histórias.
Então você pode perguntar: para onde esse trem nos leva? Ao embarcar nesse livro, passamos por descanso, música, emoção, brincadeiras, esperança e colaboração para um prognóstico mais leve. Passamos pela arte e sua capacidade de curar.
Esse trem nos leva à esperança. Não a de um final feliz garantido, mas a de tentar ser feliz até o final. Talvez esse seja o papel da esperança: não deixar o que floresceu morrer. Onde já houve amor, que continue a haver. Onde já houve alegria, que se renove. Porque cada sorriso importa. Como semente. E cada semente pode florescer, como uma flor. Bela e vermelha. Como o nariz de um palhaço.
Atenção: última chamada para o embarque. O trem está saindo. Agora é só virar a página.
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