Sobre o livro
Se você soubesse quando e de que forma iria morrer, como escolheria passar seus últimos momentos de vida?
Equilibrados entre o desespero e a lucidez, os relatos finais de um condenado à guilhotina nos fazem questionar não apenas os mecanismos da justiça, mas os horrores a que somos levados quando retiramos de alguém sua própria humanidade.
Provocador e atual, O último dia de um condenado é agora publicado pela primeira vez na Antofágica pela Nano, nossa coleção de livros de bolso.
Mais de trinta anos antes da estreia de Os miseráveis, o francês Victor Hugo já levava ao debate público denúncias ao sistema penal e judiciário e uma aguda defesa da dignidade humana.
Fortemente influenciado por execuções testemunhadas pelo autor, O último dia de um condenado acompanha o monólogo interior de um homem anônimo durante suas últimas vinte e quatro horas no corredor da morte.
Em meio a prisioneiros, guardas, padres e carrascos, busca entender o que acontece consigo e com aqueles ao seu redor, convertendo a experiência em um diário que se transforma em um poderoso apelo à humanidade e à civilidade.
Afinal, é possível existir justiça quando há violência carcerária e pena de morte?
Publicado pela primeira vez em 1829, o livro foi inicialmente mal recebido pelo público e pela crítica, que resistiam à denúncia da crueldade exercida pelo Estado e pela sociedade francesa contra os marginalizados.
Ambiciosa denúncia social, a obra coloca o leitor frente a frente com o condenado, que, se por um lado é ninguém, por outro, simboliza a todos nós. Com tradução inédita direta do francês de Leda Cartum e capa de Amanda Miranda, a edição inclui textos extras acessíveis por meio de QR Code.
Na apresentação, Juliana Borges, autora de Encarceramento em massa (2019), reflete sobre a atualidade da narrativa de Hugo. Nos posfácios, Grace Alves da Paixão, doutora em letras pela USP, analisa as influências do autor não apenas na literatura, mas também na sociedade.
A editora disponibiliza ainda um longo e célebre ensaio assinado por Hugo, originalmente publicado como prefácio em 1832, em que o autor responde a críticas à obra e reafirma seu posicionamento político e social.
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