O Sumiço das Cores

Por Andressa Risden

Sobre o livro

Tajus permanecia imóvel em seu espaço enquanto encarava o seu reflexo em frente ao espelho. Ela estava indignada com toda aquela situação, não aguentava mais, pois se sentia muito afetada com tudo e por todos.

Todo aquele cenário despertava nela um ciclo de emoções que, para bem ou para mal, nela era visível, pois seus olhos, e sua pele se transformavam em um vermelho vibrante pela raiva, e seus cabelos que refletiam o mesmo vermelho, ficavam curtos, lisos e espetados.

Passavam a um amarelo canário de alerta, atando os seus finos fios em um coque baixo, finalizando o ciclo com um laranja lava pela preocupação que a deixava quase careca, com apenas uma penugem aparecendo.

Essa era uma característica rara entre os slikars, e essa peculiaridade sempre rendeu a ela olhares curiosos, desaprovadores ou de repúdio a sua existência. Tajus tentou inúmeras vezes controlar essas mudanças, quando era apenas um pequenino ser, mas nunca pode fazê-lo.

Porém com os ensinamentos de sua mãe, entendeu que não deveria envergonhar-se de ser quem era, e não deveria deixar que isso fosse um impedimento para saborear sua existência em todo o seu esplendor.

E graças a sua mãe, ela cresceu sentindo-se bela e orgulhosa de ser diferente, de refletir em sua pele aquela incrível amostra de cores e tons que para alguns olhos era algo belo e admirável, e para outros algo estranho e horrível.

Essa não era a única característica que a diferenciava da maioria, pois Tajus, como cada ser, possuía traços natos que a completavam, tornando-a única.

Além da mudança de cores e aspecto, destacava-se também o seu caminhar, semelhante a passos de balé com toques suaves e graciosos ao apoiar seus pés no solo, acompanhado sempre de um sorriso e palavras de saudação dirigidas a quem cruzasse pelo seu caminho.

Ela disfrutava sua existência sem esconder que seu coração era invadido por uma onda avassaladora cada vez que admirava a beleza de tudo que existia a sua volta, desde uma rápida interação com um pequenino slikars, até o voo transcendental dos seres alados.

Devido às suas experiencias pessoais, apesar de ter ouvido durante toda a sua existência que os slikars eram os únicos seres com capacidade intelectual capaz de criar algo por necessidade de suprir uma carência ou de expressar um sentimento, ela nunca acreditou realmente nessa afirmação, e agora, com tudo o que estava acontecendo, ela duvidava se realmente eles eram seres inteligentes.

Durante toda a sua existência, ela sempre foi capaz de sentir a dor alheia, e agora, no auge de sua existência independente, nunca imaginou que se sentiria tão azul, aparentando na maioria do tempo aquela imagem de tristeza, com seus cabelos lisos e escorridos, caídos sobre os ombros, tampando seus olhos anis.

Mas ela não podia evitar estar assim, pois se sentia muito afetada e cansada por causa de toda a situação vivida nesse momento no Planeta Paleta: O sumiço das cores.

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