Sobre o livro
“A fé é o pássaro que sente a luz e canta quando a madrugada é ainda escura”, para R. Tagore a expressão máxima da fé é perceber a luz ainda quando se está na penumbra, e cantar para celebrar o dia, pois o canto descerra as cortinas do palco noturno e deixa entrar o sol que se desnuda no horizonte.
Goethe dizia que “…não há homem de valor que permita que lhe arranquem do peito a fé na imortalidade”. A percepção de um estado de imanência corrobora com a intervenção divina na criação. Seres humanos, a natureza e tudo o que há no mundo pertencem a Deus, e daí este sentido de imortalidade.
“O amor é um ato de fé e quem tiver pouca fé também terá pouco amor”, frase de Erich Fromm é uma interessante síntese do amor que se expressando através da fé, pode ir mais além do próprio ser humano, ou seja, tem transcendência.
Para Leon Eliachar, “só poderemos melhorar o mundo distribuindo a verdadeira fé em todos os povos do mundo”, a fé como uma possibilidade concreta da paz e da harmonia entre os homens.
Ao longo de minha vida pude testemunhar em várias ocasiões, atos de superação humana que só foram possíveis de acontecer por que estavam imersos na fé em Deus e banhados pelo amor de Cristo.
E assim fui registrando em agendas, blocos e guardanapos, as diversas impressões que me causaram estes extraordinários acontecimentos que me marcaram profundamente como pessoa e no exercício da arte que abracei, a de cuidar de almas humanas, a medicina.
Blaise Pascal tem uma frase curta, mas carregada com muito simbolismo: “Com a fé, vejo mistérios, sem a fé, vejo absurdos”. Esta compreensão destes mistérios é a recompensa da fé, segundo Santo Agostinho, que acrescenta “não procures compreender para crer, mas antes creia para compreender”.
Anatole France lamentava não ter fé, embora desejasse tê-la, e considerava a fé o bem mais precioso do mundo. Mahatma Gandhi enfatiza “nunca perca a fé na humanidade, pois ela é como um oceano, só porque existem algumas gotas de água suja nele, isto não quer dizer que esteja sujo por completo”.
A minha fé está intimamente ligada à experiência de acreditar em Deus. E nestes versos procuro expressar minhas vivências e inspirações poéticas místicas.
Espero fazer com os leitores este mergulho nas letras protegidas pelo rochedo da fé, que acalma o coração que contempla o mar infinito, que molha a areia onde escrevo o nome de Deus.
Gostaria que estes versos místicos toquem o coração e a mente daqueles que também fazem da sua existência uma busca, um sentido para a vida humana.
Aqui estão registrados sentimentos vividos, emoções compartilhadas, fatos que marcaram a minha história, sejam situações trágicas ou, em momentos felizes.
Através da poesia, é possível fazer uma conexão com todas as coisas, é um movimento que ora entra em espiral, buscando adentrar a alma humana, contraindo, ora sai da espiral, buscando conhecer o entorno da vida de relação, expandindo.
Um livro é como uma árvore que vai adentrando o solo com suas raízes e, expandindo-se generosamente em galhos, com folhas, frutos, sementes e sombras; sentindo e demarcando as estações da vida. O livro pode se transformar em um lugar de abrigo, em um palco de emoções, em um espaço de reflexões.
Se com a sua leitura isto vir a lhe ocorrer, o poeta terá atingido a sua meta. Paz profunda! Feliz Natal de 2015. Alberto José de Araújo, poeta humanista.
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