O Rio das Cinzas

Por Daniel Mavorte

Sobre o livro

Jonas é um piloto cínico, assombrado por um zumbido constante na cabeça e preso a Manaus pela doença de sua irmã, Mayra, a sua única razão de viver. Em um de seus voos clandestinos, ele entrega uma carga misteriosa em um centro de pesquisa isolado e se depara com um silêncio que o perturba.

De volta à cidade, a normalidade parece uma máscara grotesca sobre um rosto doente. Um gosto de metal na água, sussurros de uma nova “febre da selva” e a negação coletiva de uma cidade viciada em não entrar em pânico são os sinais de que algo está fundamentalmente errado.

Tudo muda quando, numa tarde fatídica, milhões de cigarras se calam de uma só vez. O silêncio que se segue não é de paz, mas um vácuo que estilhaça a fina camada de civilização. Manaus não explode; ela se encolhe. Vizinhos se tornam ameaças, e a compaixão se torna um contágio a ser evitado.

Preso em uma torre de vidro com um punhado de estranhos, Jonas testemunha a sociedade se desfazer em paranoia e medo, enquanto uma “Canção” sinistra começa a ecoar nos corredores e na mente de sua irmã.

Quando a tragédia o liberta de seu único elo com a humanidade, Jonas se batiza no fogo de sua própria dor.

Ele renasce como algo novo, frio e perfeitamente adaptado a um mundo governado pela Lei da Maré, onde não há heróis ou vilões, apenas a maré que traz os fracos e a maré que leva os fortes.

“O Rio das Cinzas” é uma jornada niilista e visceral pelo coração de um apocalipse amazônico, explorando o que resta de um homem quando sua única razão de viver é extinta, e a própria sobrevivência se torna um ato de rebelião contra um universo indiferente.

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