O relojoeiro

Por ARLAN FONSECA

Sobre o livro

Apresentação

O relojoeiro tem como objetivo chamar a atenção dos jovens para um tema de alta relevância contemporânea: o cuidado e a atenção para com suas relações sociais, que têm sido muito prejudicadas em meio ao desenvolvimento das novas tecnologias.

Traz um olhar atento em volta das relações familiares, bem como um olhar crítico e cuidadoso em torno de tudo aquilo que pode envolver a vida de um jovem durante todo o seu desenvolvimento de caráter moral e social.

Em uma sociedade em que o Estado abandonou definitivamente os cuidados em relação à educação dos jovens, isso é sentido de maneira mais intensa entre as famílias das classes sociais menos favorecidas — uma vez que as famílias de classe média alta têm o poder de optar por uma educação mais qualificada ou até mesmo mandar seus filhos para estudarem fora do país —, que não têm outra opção senão o ensino de péssima qualidade que lhes é oferecido.

Nesse contexto, o livro chama a atenção dos pais para um olhar atento em relação à criação e educação dos seus filhos, uma vez que são eles o seu maior legado e o seu único patrimônio verdadeiro.

Desse modo, diante dos sacrifícios que todas as pessoas têm de fazer no momento em que decidem ser pais, abrindo mão de muitos sonhos em favor da felicidade de sua prole, devem tomar muito cuidado com a educação de seus filhos, mantendo-se atentos o tempo todo em relação ao conteúdo que lhes é apresentado nas escolas e nos ambientes educacionais oferecidos pelo Estado falido, a fim de não perderem seus filhos para o mundo.

Em meio à necessidade de prover, os pais devem tomar o cuidado de vigiar cada passo de seus filhos, como verdadeiros tutores e formadores do seu caráter moral.

O mundo fora das quatro paredes do lar de sua família é um lugar perigoso, atraente e enganoso, propagandeando facilidades, prazeres ilimitados, liberdades sem limites e obrigações, e glamorização de comportamentos hedonistas, cujas consequências levam sempre a caminhos tortuosos de dores e ranger de dentes.

O único lugar em que um jovem pode se manter seguro é no seio de uma família bem estruturada e protetora, por isso devemos fazer tudo que estiver ao nosso alcance para conservar essa instituição que tem servido como base de nossa sociedade desde os primórdios.

Pedro deixa claro: “Minha família é minha ilha, meu feudo, meu reinado, devo defendê-la com unhas e dentes daqueles que tentam minar suas defesas, daqueles que tentam entrar na minha casa, ultrajar meus costumes, destruir a fé que os meus filhos têm em mim e em sua mãe, destruir o nosso amor santo e fraternal.

Jamais permitirei que as ideias funestas e destruidoras de pessoas que perderam o amor-próprio e a capacidade de raciocínio moral insuflem e corrompam as mentes daqueles que estão debaixo da minha proteção e da proteção sagrada do meu lar.” O mundo é mau, ele quer minar a autoridade das famílias, dividi-las, para então conquistá-las, tornando-as escravas de uma sociedade doente e adormecida.

Ele vem com suas ideias perniciosas, que a princípio parecem ser inofensivas, ideias de liberdade sem responsabilidades, que as pessoas podem ser o que quiserem, que podem fazer o que quiserem, mas ele omite a verdade: que aquele que faz uso de suas liberdades para fazer o que quer acaba escravo de si mesmo e de seus próprios vícios, já que o instinto irracional que deve ficar adormecido dentro de cada homem e mulher, quando livre, destrói tudo e todos que sua influência conseguir alcançar.

Não existe liberdade sem responsabilidade, você pode escolher o que plantar, mas nunca escolherá o que colher, terá de colher os frutos e/ou as consequências daquilo que plantou.

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