Sobre o livro
Há, a primeira vista, a impressão de que a história tratará sobre um tema batido e comum. Porém, em “O que a Vida me Ensinou” o que a autora, sabiamente, nos propõe é perceber a salvação da vida de um homem, a partir do estranhamento que outro lhe causa.
Dois contrapontos em forma de pessoas, Juca e Mel. O primeiro é ácido, quase fechado, seco, mas como todos nós, se permite ser mais que isto, sendo também o oposto dessas características que não o definem totalmente. O segundo é suave, aberto e molhado, mas também machucado e por isso mesmo escaldado.
A proposta vai além, fala de uma história de amor à primeira vista, mesmo que eles não se deem conta disso de imediato. Fala da construção da personalidade de Juca por meio desse outro que se apresenta como o doce mel, mas que traz em si também os ferrões das abelhas que lhe construíram.
Se eu pudesse faria uma desconstrução da história, mostrando a cada leitor o que cada uma das mudanças significa, iria mais fundo ainda e mostraria que cada uma traz em si uma dose forte e, por isso mesmo, necessária de “sangue, suor e lágrimas”.
A composição dos personagens é, para dizer o mínimo, rica. Juca nos mostra o que nós seríamos caso não nos permitíssemos a mudança e Mel nos mostra que a mudança é tão necessária quanto doce.
O livro fala de mim, de você, de nós e das nossas dores. Fala da transcendência nas relações humanas.
A autora é quase sarcástica ao nos enganar com a proposta simples na qual ela embasou o livro, a autora, mesmo dizendo que não, sabia muito bem da profundidade de criar algo simples, para nos atrair e convidar a ler.
Tenho certeza que ela sabia.
Você, leitor, verá ao chegar ao fim deste livro, verá sobre o que falo, mas até lá… Acompanhe os dois personagens principais com empatia, e assim verá que não minto.
Verá a constituição humana, o que é existir na frente de outro humano. Verá que ela lhe fala de dentro pra fora, mesmo que não pareça e é por isso mesmo que se apaixonará por esses personagens, que sentirá suas dores e seus amores.
É por ser sábia que ela nos transporta a um mundo onde o amor é apenas possível, e é também por entender de amor que ela o escreve como se ele fosse apenas uma proposta simples, mas nós sabemos que não o é.
Por Thiago Rodrigues, autor de: Essa Tal da Friendzone
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