Sobre o livro
O coração batia descompassado, insistira tanto naquela visita e nem mesmo ela via sentido estar naquele lugar, o que falar para aquele bandido? – ela se perguntava. O prisioneiro estava sentado no chão da cela, recurvado com a cabeça entre as pernas, não viu ou fingiu não ver a jovem.
– Ei você, cigano. Ele levantou a cabeça e sabe-se lá porque viu um anjo, a pouca claridade, a fome e a sede contribuíram para que visse essa imagem. – Vieste me buscar?
A jovem também havia se impressionado com o prisioneiro, esperava ver um bandido, um assassino frio e cruel, mas seus olhos mostravam o oposto: apesar de sujo, barba por fazer, machucado, ali estava um jovem com pouco mais idade que ela. Dois olhos verdes a miravam através das grades.
– Como te buscar? Vim é ver quem matou meu marido, antes que seja enforcado – Não matei ninguém, senhorita. O soldado a distância ficou surpreso, pois era a primeira vez que o prisioneiro falava. – É o que todos dizem quando são presos, alegam inocência.
Fazendo muito esforço, o cigano se levantou e veio em direção às grades, agora já podia ver a jovem. Não era um anjo como pensara, mas era linda. – Se a senhorita já me julgou, de que adiantam minhas palavras?
A jovem já não sabia o que dizer, odiava o assassino do marido, mas não conseguia odiar o cigano. – Se você é inocente como diz, por que não dá provas da sua inocência? – Sou cigano, senhorita, já nasci julgado e condenado, só faltava o crime e agora eles arrumaram.
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