O Povo do Lago

Por Neuton Lelis

Sobre o livro

Todo trabalho é digno e como tal dignifica o homem. Quando além disso, propicia um imenso prazer, leva a quem o faz pensar em algo tão escasso como a felicidade. Foi o que aconteceu comigo, enquanto fazia a editoração e revisão deste livro.

Assustei-me com o olho de areia que crescia, voltei a ser criança com a Thiana (que criança não gostaria de ter uma Thiana?…), revivi as velhas politicagens dos coronéis do sertão e senti o frio que há na alma dos matadores de encomenda.

Encontrei neste livro uma história plural, misto da dura realidade e pura fantasia; uma literatura enxuta e escorreita e gostosa e mágica como os cordéis do nordeste. A vida em toda sua exuberância contracenando com a seca que avassaladora invade os quintais e as almas dos homens.

Assim em Soledade como em Macondo, a realidade se funde com a fantasia gerando a literatura de boa estirpe, que diverte e faz pensar.

E que também emociona…Por aqui desfilarão o filósofo uspiano, a paulista ninfomaníaca, o pastor sem fé e cheio de tesão, o carteiro Efraim, homem crédulo nas artes de Mr.

Molinga, este, melífluo e matreiro, o jovem Cocô (Luiz Coconal), o deputado, a prostituta, o coronel e, claro, os jagunços, uma espécie de apêndice obrigatório dos coronéis e o jornalista sem escrúpulo, na figura de Dom Osvaldo Turica… Mas vem o Triângulo, o Deserto e tudo muda.

Terá sido só alucinação coletiva como vaticinaram os doutos da Universidade do Junco? Algum complô para se criar a indústria dos frascos de areia colorida? Alguma arte de Mr. Molinga para apressar sua partida para casa (Paris)? Leia e descubra. Com prazer. Prof. Rafael Campos

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