O Pássaro

Por Ana Maria da Costa Souza e Silva

Sobre o livro

Belo Horizonte parecia edificada na linha do Equador.

Os dias arrastavam-se cansados, calamidades eram previstas.

A violência dos raios de sol trouxe grande desconforto e o ar seco, poeirento e preguiçoso, sem corrente capaz de enfrentá-lo, sufocava a população e corrompia o céu da cidade: conluio que converteu num cáustico verão a primavera recente – sinal da demência observada, há tempos, no clima.

Um vento atrevido abriu suas asas, mas duramente pressionado recuou; noutra tentativa obteve igual oposição e pareceu desistir.

Uma garoa também se fez presente, esvoaçante e tentadora, ela rebolava ao tempo; porém, volúvel, foi-se embora assim que o sol tratou-a com desprezo, bem como à pequena nuvem que a alimentava.

Nessa cidade de topografia diversa e tempo instável, vivia Vânia e a família que havia construído ao lado do homem a quem amara, elegera para ser o companheiro de sua vida; tesouro cultivado, mantido no coração até que uma desdita fê-la, tomando rumo diverso, desobrigar-se daquele compromisso.

Não, não se deixaria abater. Manter-se-ia firme, pés no chão, tronco ereto e cabeça erguida. Tinha filhos por quem lutara e queria seguir cuidando, almejava vê-los realizados. Iria avante, cabeça erguida e coração sereno, cumpriria com desvelo sua obrigação.

Essa é a cidade e o contexto onde se desenrola a jornada dessa gente. História de conquistas, perdas e superação que, espero, envolva-o e agrade-o.

Ditas essas poucas palavras, e como você poderá confirmar seguindo avante, acrescento que esta é obra de leigo ousado, talvez crédulo, contemporâneo de sábios e entendidos.

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