O Olho De Vidro

Por Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco

Sobre o livro

O melro, eu conheci-o: Era negro, vibrante, luzidio, Madrugador, jovial; Logo de manhá cedo Comeåava a soltar d’entre o arvoredo Verdadeiras risadas de cristal.

E assim que o padre cura abria a porta Que dß para o passal, Repicando umas finas ironias, O melro d’entre a horta Dizia-lhe: «Bons dias!» E o velho padre cura Náo gostava d’aquellas cortezias.

O cura era um velhote conservado Malicioso, alegre, prasenteiro; Náo tinha pombas brancas no telhado, Nem rosas no canteiro: Andava ßs lebres pelo monte, a pç, Livre de rheumatismos, Graåas a Deos, e graåas a Nðe.

O melro despresava os exorcismos Que o padre lhe dizia: Cantava, assobiava alegremente; Atç que ultimamente O velho disse um dia: «Nada, jß náo tem geito! este ladráo Dß cabo dos trigaes!

Qual seria a rasáo Porque Deos fez os melros e os pardaes?!» E o melro no entretanto, Honesto como um santo, Mal vinha no oriente A madrugada clara Jß elle andava jovial, inquieto, Comendo alegremente, honradamente, Todos os parasitas da seara Desde a formiga ao mais pequeno insecto.

E apesar d’isto o rude proletario, O bom trabalhador, Nunca exigiu augmento de salario

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