Sobre o livro
Aos cinquenta anos, recém-saída de um acidente que ameaça lhe amputar o pé e abandonada pelo marido dias depois, Luiza se vê sozinha em Colônia, na Alemanha, onde o inverno parece durar mais do que deveria.
É nesse tempo suspenso, entre a dor física e o silêncio doméstico, que ela começa a revisitar o passado em busca de peças que lhe ajudem a entender o presente. O mesmo inverno é um romance de autoficção que desce aos porões da memória para reconstruir os caminhos que levaram Luiza até ali.
O início de um relacionamento marcado pela manipulação e pela mentira, a adolescência atravessada por experiências de desejo e violência, a convivência com uma mãe obcecada pela juventude e competitiva com a própria filha — tudo retorna com força. E tudo precisa ser olhado de frente.
Com ecos de Elena Ferrante e uma escrita precisa, Patricia O. Prada faz da dor matéria de linguagem e da memória um campo de batalha.
O envelhecimento feminino, a solidão, a vergonha e a raiva são tratados com coragem e crueza, revelando uma personagem — e uma escritora — que não têm mais tempo a perder com meias verdades.
Este é um romance para quem reconhece que crescer, envelhecer e sobreviver são verbos que doem — mas que ainda podem ser conjugados com beleza.
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