Sobre o livro
Quando aciono as barbatanas da memória, sinto que quanto mais profundo o mergulho, mais forte o cheiro do pêssego. Meu pai dizia “pesco”, mas das suas mãos vinham sempre os melhores frutos. Em todos os sentidos. Os figos, sempre maduros. Vermelhos por dentro. Abertos e suculentos como uma vulva.
Viver é um punhado de coisas espalhadas pelo tempo. Vivemos recolhendo achados e perdidos. Quando Laís Chaffe me provocou a publicar os quatro primeiros livros, senti cheiro de pêssego. Pensei: já é tempo de fazer O inventário do pêssego. Separar, juntar, misturar. Chafurdar na germinação das sementes plantadas. Recolher do chão os frutos apodrecidos e separar os maduros.
De 2011 para cá, meus livros passaram a ser editados e pré-lançados na minha terra. Foram três ao todo e, agora, essa pequena antologia com uma seleção de poemas dos quatro livros anteriores, além de alguns inéditos. Com isso, entrego à Casa Verde a quase totalidade da poesia publicada por mim até hoje, porque entendo que publicar é uma relação delicada.
LAU SIQUEIRA nasceu em 1957, em Jaguarão (RS), e mora em João Pessoa desde 1985. Seus quatro primeiros livros – “O comício das veias” (1993), “O guardador de sorrisos” (1998), “Sem meias palavras” (2002) e “Texto sentido” (2007) -, esgotados, a partir de agora podem ser lidos em sua quase totalidade neste “O inventário do pêssego”, em seleção feita pelo próprio autor, que também incluiu poemas inéditos no conjunto.
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