O inferno é agora: dez contos sincréticos

Por Thiago Rocha

Sobre o livro

O INFERNO É AGORA: DEZ CONTOS SINCRÉTICOS

Este é um livro de ficção escrito de modo que suas partes – seus contos – formem um só corpo, como em uma suíte musical.

Esse corpo é unido por um mote criativo: interpretações livres, ficcionais e literárias (mas não literais) dos dez mandamentos do cristianismo – ou, mais propriamente, do que deles se diz em locais sagrados da atualidade, bastiões da teleologia da isenção, como a Wikipedia.

Essa organicidade intenta levar adiante a que foi prenunciada em UM RIM POR UM TRAGO E OITO CONTOS PREVISÍVEIS (do mesmo autor), livro do qual este herda o estilo, que funde clássico & pop, apolíneo & botequeiro, teísta & pecador.

Os mandamentos permeiam histórias de amor & desamor, crime & justiça, mistério & fantasia, perdição & redenção. (A décima história é SABRINA: UM CONTO DE MEL, primeiramente publicada em livro à parte.) Essas histórias fazem ode à inexorabilidade do transcendente e à importância do espiritual na arte e na vida (no mínimo, ao que vem primeiro).

Embora O INFERNO É AGORA parta das versões cristãs dos mandamentos, seus contamentos – para usar um termo que já nasce gasto e evitável – não se pretendem sacros; ao mesmo tempo e, em hipótese nenhuma, são anti-religiões. E, afinal, por que o seriam?

E…

Que sejam contos ou contamentos importa menos do que saber que são sincréticos; e que sejam contos ou contamentos sincréticos importa menos ainda do que pensar, nos dias de hoje: que diabos é sincrético?

TRECHOS DO PREFÁCIO (de Manu Lafer)

“Os leitores certamente se reconhecerão nas personagens. Terão espelhadas sua urbanidade, sua juventude, sua experiência do meio acadêmico e de convivência com a vizinhança, e até nas rotas de turismo (um conto descreve Paris) e polêmicas de torcedor de futebol.”

“Os pecados elencados dão unidade ao tema de cada conto e ao conjunto do livro, como o autor intenciona.

Tal qual a série de filmes de longa-metragem do diretor Krzysztof Kieślowski, Decálogo, feita para a televisão polonesa nos anos 1980 (quando o Papa e Guerra Fria discutiam assuntos universais), a literatura convida a aproximar desse universo as vicissitudes do dia a dia das pessoas comuns.

Os contos de O inferno é agora fazem isso sem pretensão teológica ou moral, de uma maneira lúdica, botequeira” (de inferninho) e pop (para a religião).

Assim como as citações literárias e das artes plásticas, que percorrem praticamente cada página, mas de modo deliberadamente leve quanto à erudição.

Esse modo ligeiro, como se diz em esportes, medicina, literatura e música, é executado através de o maior mérito do livro, e que confere seu estilo: seu ritmo.

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