Sobre o livro
Prólogo –- Primeira ParteA Palmatória ainda fazia-se presente nalgumas escolas de Grajaú do Maranhão quando avistei esta moça pela primeira vez.
Foi ainda em 1971, provavelmente no 7 de setembro, quando ela fazia-se destaque no desfile estudantil do Grupo Escolar Urbano Santos.Por aqueles dias eu tinha a idade de 14 anos de vida terrena e não passava de um garotão que ainda jogava peteca (bila, no Ceará, e creio que bola de gude tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro, e bolinha de vidro em outras localidades deste nosso Gigante Brasil), empinava papagaio (pipa, no Rio de Janeiro), rodava pião, banhava-me e pescava nas águas do Rio Grajaú, jogava bola e era louco por futebol.Porém devo confessar que não vi nada de especial nesta moça, quando a vi pela primeira vez.
Deverasmente eu era apenas um garotão, não podia ver nada…
Demais a mais, por aqueles dias, esta moça ainda achava-se na sua formação física; tinha ela 13 anos de vida terrena, seu rosto estava apinhado de espinhas, seu corpo ainda era uma casa em constante explosão, faltavam-lhe ainda alguns pormenores.
E em vista disso, como poderia eu ver algo de especial nesta moça, se ela ainda era um mundo metamorfósico!?…Por um ano e meio ainda não tivera eu a graça de lidar com esta moça, pois que naquele ano, 1971, eu estudava na Escola Gonçalves Dias, que era dirigida pelo professor Porfírio Preto, assim chamado e conhecido, perito em aritmética; e só no ano seguinte, 1972, é que passei a estudar no Grupo Escolar Urbano Santos.
Porém eu, que cursava o 4º ano primário, era aluno matutino, enquanto que ela era aluna vespertina, não tínhamos como cruzar as fuscas.Foi no exame de admissão para o ginásio que esta moça ateve-se a mim e, ligeiramente nervosa e tímida, perguntou:– Tu fizeste o primeiro exame?..– Não…– Eu também não, meu irmão..
Tô nervosa qui só!.. Tô morta de arrependida por não ter feito o diáchu do primeiro exame! Se tivesse feito, ah, eu teria pelo menos uma base do que seria o diáchu da prova.– Estudou bastante?– Sei lá, meu irmão!.. Acho que sim. Mas tô com um medo medonho de ser reprovada.
Acho que vou é sentar-me bem perto de ti. Se eu tiver alguma dúvida, tu me dás uma cola, viu!?..– Viu. Deverasmente ela assentou-se às minhas proximidades; porém, na hora da prova, nem thum pra mim.
Demais a mais, a professora Marly Araújo espalhou os olhos por toda a sala…Por dois anos seguidos, no Ginásio Antoniano, cursamos a 5ª e 6ª séries ginasial. Estudávamos na mesma sala de aula. Ela assentava-se próximo a mim e chamava-me de Amigo.
Já nas horas vagas tanto ela contava-me histórias da sua terra natal quanto fazia-me perguntas tanto sobre mim mesmo quanto sobre a terra em que ora vivíamos. No findar deste tempo, 1974, Beatrhiz havia já saído do casulo: estava bonita! uma lindeza ímpar!..
Já em 1975, ocupado com trabalho, eu precisei estudar à noite, mudei-me de colégio e parece-me ela mudou-se de cidade…Por quase 3 anos seguidos tudo o que restava-me desta moça eram lembranças. Gostaria de saber onde ela encontrava-se, o que estaria fazendo, como estaria vivendo, estas coisas.
Lembrava-me das histórias que ela contara-me a respeito do seu mundo, o mundo que luzia a sua pessoa. Vivia todo saudades dela. Desejava revê-la.Havia eu concluído o curso ginasial e achava-me já em Imperatriz do Maranhão quando novamente dei-me com esta moça. Foi em 1977, provavelmente em outubro.
Era noite. Eu achava-me numa danceteria quando Beatrhiz ateve-se a mim e convidou-me para dançarmos um quê de música lenta da época (Bonnie Tyler: It’s A Heartache).
E ainda dançando ela chorou no meu ombro e principiou a contar-me tudo quanto achou que eu podia beber do mundo que ela vivera desde a vez última que havíamos visto-nos, até àqueles dias…Apesar de estonteantemente bonita, Beatrhiz estava numa pior. Havia deixado os estudos.
Precisava trabalhar urgentemente!..Autor: Veríssimo Cândido Valério
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