O ESCRITOR E O ANOTADOR

Por RONALDO CARLOS

Sobre o livro

O romance divide-se em três partes. A primeira discorre sobre os anseios e as dificuldades de um escritor que, na juventude, esforçou-se para ser um poeta.

Posteriormente, porém, passa a acreditar que resta à literatura pontificar-se por intermédio da prosa. Assim, na segunda parte, denominada Conto, enfrenta toda uma série de dúvidas e dificuldades para superar sua frustração de ser poeta tornando-se um contista. Todavia, seu esforço não possui o necessário sucesso.

Já na terceira, denominada Romance, o escritor se depara com as dificuldades para escrever a história que pretende denominar Tradição’identidade.

Assim, o livro trata de relatar as dificuldades de um escritor para se tornar poeta, contista e romancista, de acordo com o seguinte modelo: ele conta essa dificuldade para alguém, que a anota. E esse alguém é o anotador.

Portanto, o livro possui basicamente dois personagens.

O escritor, que representa o anseio clássico de literatura, aquele que busca obsessivamente criar uma original obra imortal, inserindo-a no cânone ocidental; e o anotador, que, alheio a qualquer anseio de originalidade, apenas deseja anotar aquilo que ouve o escritor falar.

Daí que ele não escreve, somente anota, porque sua anotação representa um discurso de segunda grandeza, uma vez que já foi articulado por outro. Em verdade, o anotador consiste em ser um copiador, um imitador, um pastichador.

Ele é, na verdade, o exemplo mais cabal de um pós-modernista, apresentado de forma implícita, contrapondo-se ao escritor, declaradamente um modernista.

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