Sobre o livro
Conto onde o autor retrata dois personagens com visões diferentes sobre o dinheiro.
Em O empréstimo, o autor apresenta o tabelião Vaz Nunes, em um final de expediente, recebendo a visita de Custódio, que veio lhe pedir dinheiro. O primeiro tem a capacidade de desvendar o interesse que se esconde atrás da aparência, o segundo tem “a vocação da riqueza, sem a vocação do trabalho”.
Nessa hora em que se confrontam, revela-se a natureza de cada um deles. Machado mergulha com precisão detalhista no gesto de olhar por cima dos óculos, no movimento dos braços, no modo de pegar a carteira, na maneira de caminhar de cabeça erguida. São detalhes do cotidiano.
Essa ação narrativa e o tempo que passa não trazem, contudo, transformação. A melancolia que perpassa essa anedota humorística deixa um travo amargo, posto que de fel irônico, no riso do leitor.
A passagem do tempo não implica transformações; são personagens alegorizados e congelados, incapazes da mudança. É como se o destino estivesse consumado em vida.
O leitor acompanha o confronto de disfarces entre os dois cavalheiros.
A cada lance desse jogo, cada um dos contendores aparenta estar jogando a sua última cartada, ao mesmo tempo que cada uma das partes disfarça os trunfos de que ainda dispõe: a elasticidade da ambição, de um lado, e a capacidade de concessão, do outro.
Encerrada a contenda, ambos parecem sair satisfeitos com o próprio desempenho cujo ganho é mínimo para um e a perda, insignificante para o outro.
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