O Diário de Jonathan Crow

Por Felipe Muniz

Sobre o livro

Petrópolis 11/07/1930

Eu ouvi os passos atrás da porta junto ao silêncio da minha boca, e veio sem avisar o medo dos dias de chuva, o vento sussurrando na janela descascada pelo tempo, os galhos quase mortos da mangueira, a colcha de retalhos como escudo. Um grito pela metade, calado por um tiro oco…

Pela fresta entre o chão e a porta eu vi a sombra de um corpo caído e inerte. Eu só tinha seis anos quando perdi minha mãe, do resto, fui criado em partes nas casas de alguns parentes, outra, pelo padre da pequena igreja da Vila de Anta.

Fui um garoto que nunca empinou pipa, nunca jogou bolinhas de gude no velho coreto e nunca soltou pião, mas fui habituado a ler a Bíblia Sagrada todos os dias três horas por dia. Tornei-me um menino diferente dos outros, enquanto uns brincavam, eu lia.

Meu pai fora preso duas horas após ter atirado na minha mãe, seu argumento fora traição, eu nunca acreditei neste argumento, minha mãe pelo que dizem era religiosa e perdidamente apaixonada por meu pai. Minha mãe me deu o nome de batismo de Jonas em menção ao profeta Jonas da Bíblia Sagrada.

Mas prefiro que me chamem de Jonathan Crow, e este é o meu diário, onde relato minha vida e tudo o que vivi.

Jonathan Crow

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