Sobre o livro
A devoção familiar é um dever ordenado na Palavra de Deus e que se tornou marca da espiritualidade familiar reformada. Essa devoção praticada pela esfera familiar ficou conhecida também como “Culto Doméstico”.
Muitos o julgam como formalismo (que a vida é orgânica e dinâmica, não se precisa desses tempos); outros julgam desnecessário e invenção de homens (basta que cada membro da família busque a sua devoção privada e individual); outros ainda resistem à sua prática por uma visão de exclusão das esferas (se já se ora individual ou comunitariamente — “na igreja”, então não se precisa da oração familiar; e outros foram até convencidos doutrinariamente, mas são lenientes e displicentes quanto às práticas.
Todas essas objeções, desculpas e negligências são, por diversas razões, equivocadas e tais pessoas desprezam algo essencial à vida cristã em família.
A devoção familiar é um aspecto essencial da espiritualidade e da piedade no lar. Eu não estou dizendo que é o único. Tudo o que uma família faz deve fazer de forma espiritual e, ali, estará a sua espiritualidade. O Culto Doméstico é um aspecto no qual todos desembocarão e alimentarão a todos os demais. Ele é um dever, uma bênção e um prazer para famílias conscientes do seu significado.
Inútil será sonharmos e desejarmos (e até orarmos) por uma igreja, sociedade, nação mais santas, se as famílias forem profanas ou desprezadoras da piedade.
Na verdade, um dos mais claros sinais, na História, da degradação da verdadeira religião cristã (dentro outros sinais ou motivos) é a ausência de devoção familiar.
Contudo, ao considerarmos os momentos de avivamento e reforma, a devoção familiar estava presente (quer como fruto, quer como preparação). Por isso, corretamente falou Leland Ryken: “A igreja nunca pode ser um substituto para a vida religiosa da família.
De fato, a SAÚDE da igreja depende do que acontece na família”.
O Culto Doméstico é uma ocasião diária, em família, de devoção e busca do Senhor, liderada (ordinariamente) pelo cabeça do lar, como: expressão da família da aliança, aumento na fé, discipulado dos filhos (quando houver) e preparação para o culto público.
A devoção familiar é um dever ordenado — como John Brown expõe no primeiro texto aqui organizado. Isso já seria suficiente. Mas deve-se destacar também isto: a devoção familiar é uma das formas de declaração de que essa esfera de nossa existência — a família — pertence ao Senhor.
Se o Senhor é criador da família (Gn 2.21-24); é o proprietário da família (Josué 24.15); é o governador da família (Ef. 5:25-33; 6:1-10); é o benfeitor da família (Salmo 127–128); então, as famílias devem adorá-lO. Na devoção familiar, Cristo é declarado (na prática) como Senhor sobre minha família.
Nesse livro, você encontrará no corpo principal dois textos: (1) do covenanter (presbiteriano escocês do século XVII) John Brown de Wamphray. Nele, Brown apresenta as bases e as razões bíblicas para a prática; (2) do puritano inglês Oliver Heywood.
Nele, Heywood confronta os homens da negligência desse dever, mostrando que tal postura é uma das causas mais significativas do declínio da verdadeira religião em uma nação.
Como apêndice, dispus (1) o referido “Diretório de Culto Privado e Familiar da Assembleia de Westminster”; (2) uma proposta de “liturgia” (ou cronograma) para o culto doméstico com orientações práticas; e (3) recomendação de alguns materiais (livros e palavras) sobre o assunto.
Eu desejo que este material lhe convença da bênção que é a prática constante e diária do Culto Doméstico. Mas não apenas que lhe convença doutrinariamente, mas seja instrumento do Senhor para lhe mover à ação. Que o Senhor avive a devoção familiar em nossas famílias, igrejas e nação!
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