O Conto de Genji: 1

Por Murasaki Shikibu

Sobre o livro

Sob o reinado de certo Imperador, entre as mulheres do palácio interior vivia uma Dama do Guarda-Roupa — nem de alta estirpe, nem amparada por parentes poderosos. Mesmo assim, o Imperador a amava acima de todas as outras e a chamava ao seu lado noite após noite.

O ciúme das consortes de grau superior converteu-se em crueldade implacável, e a saúde daquela mulher declinava dia após dia. O que ela deixou para trás foi um príncipe de beleza tão arrebatadora que todos os que o viam prendiam a respiração.

Não demorou muito até que a criança que viria a ser chamada o Príncipe Resplandecente se tornasse a figura mais radiante — e mais vulnerável — da corte.

Hikaru Genji, criado sem jamais ter conhecido a mãe, celebra sua cerimônia de maioridade aos doze anos e é unido em casamento político com Aoi, filha do Ministro da Esquerda.

Mas quem lhe captura o coração é Fujitsubo — a nova consorte de seu pai, de quem se diz ser a imagem viva de sua mãe falecida. Guardando em segredo esse amor proibido, Genji começa a vagar pela capital noturna. Encontra Utsusemi, uma orgulhosa mulher casada, em um encontro clandestino.

Em uma casa em ruínas perto da Quinta Avenida, descobre a frágil beleza Yūgao. Em um templo de montanha nas colinas do norte, avista uma menina que é o retrato perfeito de Fujitsubo — a pequena Murasaki.

Mas na corte de Heian, amar alguém equivale a feri-lo. Certa noite, Yūgao é atingida por um espírito possessor e morre sem aviso. O embate político com a facção do Ministro da Direita se intensifica, e a posição de Genji começa a vacilar. E o ciúme da Senhora de Rokujō ultrapassa até mesmo sua própria vontade, tomando a forma de um espírito vivente que volta suas garras contra a pessoa que Genji mais deveria proteger.

Escrito no início do século XI por uma dama da corte que a posteridade conhece como Murasaki Shikibu, O Conto de Genji é lido há mais de mil anos como o mais antigo romance psicológico do mundo. Este volume contém os capítulos de abertura — do capítulo 1, “O Pavilhão da Paulônia”, ao capítulo 11, “Flores que Caem”.

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