Sobre o livro
Não é estranho que, devendo nos conhecer profundamente e praticar a verdadeira arte de viver, nem ao menos somos, quase todos, simples amadores dessa mesma arte, que é a mais importante de todas? Nunca aprendemos a viver bem.
Podemos nos tornar especialistas na nossa profissão ou nos negócios, mas, sem a arte de viver, da qual ainda assim, depende a nossa felicidade ou infelicidade, nunca seremos verdadeiras consciências. Não estudamos com afinco o mecanismo humano; temos dele, quando muito, conhecimentos superficiais.
Esse mecanismo maravilhoso deveria ser conservado nas melhores condições, porque tudo o que o prejudica, deprime a expressão da alma. O atual sistema de educação ensina tudo, menos o que nos é mais necessário, a arte de viver.
Nas escolas e nos colégios, ensinam mil coisas que têm pouca aplicação direta na vida prática, e nenhuma ou muito pouca importância se dá ao estudo do maravilhoso organismo humano.
Assim, existem muitas pessoas qualificadas que dificilmente descreveriam as condições e as funções dos órgãos de que dependem a nossa vida e o nosso bem-estar.
Poderão saber geografia, história, política, filosofia e sociologia; mas não possuem conhecimentos práticos sobre a máquina humana, o mais admirável dos organismos pela delicadeza, perfeição e ajustamento preciso dos seus órgãos, que exige mais zelosa atenção, mais minuciosos e conscientes cuidados do que todos os mecanismos do mundo.
A arte de viver é a mais importante de todas, e apesar disso, o homem atravessa a vida ignorando a estrutura do seu corpo, o funcionamento dos seus órgãos e as noções indispensáveis sobre a maneira de tratar bem o seu organismo, conhecimentos para ele bem mais valiosos do que todas as ciências do mundo.
Uma pessoa esclarecida não comprometeria o funcionamento correto, diariamente, do mecanismo humano, como quase todos fazem, comendo demais ou de menos, ou não tendo uma regularidade na maneira de viver.
Ninguém gostaria de adoecer durante dias, por maltratar as células nervosas do seu cérebro, entregando-se à irritação, ao ódio, ao ciúme, ao cuidado exagerado e às apreensões. Pelo contrário, protegeria o seu organismo sensível e delicado contra todos os seus inúmeros inimigos físicos e mentais.
Causa lástima que a maior parte dos homens não conheçam a ciência que lhes ensina a fazer mover corretamente o mecanismo humano com o menor número possível de atritos e desconfortos, desvendando-lhes o segredo de tirar do meio ambiente o melhor, e transformar em oportunidades de vida todas as circunstâncias da existência, exatamente como Michelangelo, que sabia aproveitar os casos da vida para a realização das suas obras-primas.
A máquina humana, ainda no seu melhor estado, não é capaz de transformar em força impulsiva a mais fraca porcentagem da sua energia ou da sua inteligência, sabiamente dirigida; porém, essa mesma máquina tornar-se-ia capaz de produzir forças maravilhosas, harmonia e uma perpétua felicidade.
Mas quem já ouviu falar de um mestre ou uma mestra especialista na arte de viver? Muitos homens, verdadeiros competentes na direção dos seus negócios, arruínam desastrosamente a vida do corpo e do espírito.
São bem poucas as pessoas felizes, apesar da felicidade ser o objetivo principal e uma necessidade da alma.
Este fim é raras vezes atingido pela pouca ou nenhuma atenção que se presta ao bom funcionamento do nosso organismo, quase sempre incapaz de produzir o mínimo do que nos pode dar, por desperdiçarmos as nossas forças, espalharmos as nossas energias, descuidarmos dos mais simples ensinamentos para mantermos um bom equilíbrio físico e uma justa harmonia mental.
A arte de dirigir com sabedoria a máquina humana exige um esforço científico e perseverante.
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