Sobre o livro
DESCRIÇÃO – O COMEDOR DE SONHOS, de Cláudio Aguiar
Nas onze narrativas reunidas no volume O COMEDOR DE SONHOS, Cláudio Aguiar transita com habilidade entre os mais variados temas da condição humana.
Em todas eles cresce o tom filosófico, adotado como objetivo moralizador, embora caiba ao leitor avaliar tal propósito, sobretudo, porque as peripécias, muitas vezes, assumem a dianteira e tomam a cena devido à engenhosidade do enredo.
Apesar dessa possibilidade, vale destacar que as histórias narradas por Aguiar abordam, com profundidade, o destino dos seres humanos nas mais variadas dimensões.
Exemplo disso é o foco da revolta e da ironia que se anuncia no conto O Dia em que o País Chorou, sob a ótica do absurdo, porém, pleno de coerência com a realidade que vivemos; o orgulho da bela mulher e o amor falido apresentados em Rosa de Windsor poderão significar advertências indispensáveis a serem levadas em consideração nas relações sociais; os elos da amizade surgem com força em O amigo é outro eu, história que remete à verdade aristotélica, quase sempre, esquecida por aqueles que, antes de mais nada, esperam recompensa como se fora moeda de troca na vigência da amizade; Enquanto o Silêncio não Chega representa um curioso aviso de que o silêncio pode ser roubado de nós, configurando, na maioria dos casos, crime ambiental; em O Comedor de Sonhos, conto que dá título ao livro, Cláudio Aguiar defende os sonhos como necessidade vital sob pena de a loucura entrar pela porta grande de nossas convivências; no conto O Pão das Almas, o autor aborda, com vivo domínio da técnica do suspense, o ardil e a vingança; a vitória da vida sobre a morte, sobretudo, a que depende de um passo decisivo nas horas de dificuldades, inclusive nos casos graves em que se pensa recorrer ao suicídio, ressurge a luz, como ocorre no conto O Anunciador; em Rei Davi na Via Ápia, ganha força a luta entre especialistas em arte clássica, nos levando a uma narrativa de suspense em plena Via Ápia romana sobre os segredos da restauração e conservação de obras de arte.
Assim, Cláudio Aguiar, em O COMEDOR DE SONHOS, confirma sua condição de ficcionista ao oferecer narrativas marcadas por ágil e cuidada expressividade, todas alimentadas por recursos metafóricos que enriquecem a arte de narrar do autor cearense.
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