Sobre o livro
Enquanto as horas eram distribuídas entre a alvorada e o pôr-do-sol e em três vigílias distintas, a memória se assemelhava a uma linha tênue que se rompia gradativamente ao longo dos anos. Os santa-marienses sofriam de uma epidemia de amnésia que foi piorando ao longo do tempo.
Podia-se afirmar que aquele lugar fora absorvido pela síndrome do esquecimento. Crianças, jovens e velhos contraíram a doença. Gentios, parentes e visitantes que pernoitavam em Santa Maria eram contaminados pela síndrome.
Quando voltavam para suas regiões, eram acometidos por lapsos constantes de memória.
(…) No entanto, aquele que guardava as coisas e sabia de tudo era Otaviano de Maria, o carpinteiro que na infância foi despertador humano, o menino que batia nas portas para acordar os moradores a tempo de ir ao trabalho.
(…) “Se esta amnésia for crescendo, sem controle, ninguém mais se lembrará de Santa Maria”, disse para si, bastante apreensivo, no dia em que teve a ideia de batizar as cousas, as pessoas que morriam e os fatos do povoado com os objetos comuns que tinha em casa.
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