Sobre o livro
Vivia de esperar não sabia o quê… Por vezes aquele príncipe se sentia um ser infinitamente caricato. Pois que tinha que reconhecer ― como príncipe não tinha uma função específica. Sentia-se mais como um boneco de cristal, que era adorado, cuidado, preparado para um dia, quem sabe, vir a ser o substituto do trôpego rei Dom Elisius II. E essa espera o cansava, embora soubesse pouco se queria isso mesmo: ser rei…
Tinha aspirações cósmicas. E lia também escritores de ficção científica. Gostava muito de poesia; lia Byron, Mariana Borges, Zéluiz de Oliveira, Américo Rosário de Souza, Sid Sheldowt, Álvares de Azevedo, Mário Massari e Fernando Pessoa etc.
Adorava tocar piano, mas quando os professores disseram que ele levava jeito para a coisa, sua mãe, a rainha, o proibiu, alegando que aquilo não era para um nobre como ele. E ameaçou lhe cortar as pontas dos dedos, se ele insistisse!
As submissões aos regulamentos advindos do fato de ser da realeza o enfastiavam. E os caprichos da mãe o enervavam!
“Toda beleza, inexoravelmente, há de se converter em feiura”, alguém já lhe avisara. “E os seus fantasmas interiores, dependendo do seu estado de ânimo, poderão ou não se materializar”, advertira também esse alguém.
Além disso tudo, mal sabia ele que estava sendo observado por extraterrestres…
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