O Canto do Tempo

Por Jorge Guevara

Sobre o livro

Esperando um romance histórico de horror e fantasia, o leitor de O Canto do Tempo se surpreenderá com a forma que o livro ultrapassa as fronteiras do gênero.

Através de uma narrativa não convencional, a obra se apresenta como um mergulho desconcertante em estórias, relatos e confissões de caráter íntimo e visceral, aproximando-se de um diário milenar atravessado por amor, desejo, culpa e reflexão filosófica.

História, mito e ensaio se entrelaçam para questionar o que sabemos — e o que ignoramos — sobre a natureza do tempo, da morte e da existência.

A narrativa acompanha fragmentos da vida de Axel Enrich, um jovem escandinavo, nascido na Idade do Bronze, cuja existência é subitamente marcada pela imortalidade.

Condenado a atravessar milênios, Axel percorre diferentes épocas e culturas, confrontando-se com as tensões entre memória e esquecimento, liberdade e destino, humanidade e eternidade.

A obra é estruturada em capítulos intercalados, cada qual situado em um período histórico distinto, unidos pela mesma voz inquieta e pela recusa de uma cronologia linear. O primeiro eixo narrativo se passa na Escandinávia de 300 a.C., quando Axel ainda é humano.

Após viver um amor proibido com a própria irmã, ele é expulso de sua comunidade e lançado à errância. Nesse estado liminar, encontra a Morte não como fim, mas como presença sedutora, amante e promessa, iniciando sua transformação em imortal. Esse início estabelece o tom mítico e lírico da obra.

O segundo eixo ocorre em Roma, no século I a.C., onde Axel já vive como imortal sob a tutela de Jazmin, uma figura ancestral e enigmática.

Em meio às tensões políticas da República tardia, ele se aprofunda na filosofia, no poder e nas contradições entre razão e desejo, descobrindo que a imortalidade não oferece respostas, apenas novas inquietações. O terceiro eixo situa-se na França medieval do século XIII.

Buscando recuperar uma vida “humana”, Axel tenta o matrimônio e a estabilidade, mas se vê novamente capturado pelas forças obscuras da chamada “Terceira Margem”, mistério que atravessa toda a narrativa.

Escrito em prosa lírica e filosófica, O Canto do Tempo é um romance que utiliza a História como palco para refletir sobre o humano e o inumano. Mais do que acompanhar um personagem através das eras, o livro convida o leitor a escutar o tempo em seus ecos, silêncios e permanentes dilemas.

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