O cadarço vermelho: à guisa de resposta a uma carta de amor

Por Aguinaldo Gonçalves

Sobre o livro

Olhei para mim e o que vi não era o Danilo que pensei conhecer ao longo do anos. Não era o Danilo de emoções contidas e equilibradas diante de tudo que tentava desafiá-lo. Estava ali, um amontoado de sensações difíceis de divisar, de reconhecer suas feições e suas categorias pessoais.

Via ali retalhos do que sou, sem fingir que sou a grandeza do que penso. Foi assim, que fui desamassando o papel, devolvendo-lhe o formato de correspondência e vagarosamente rasgando-o para que tivesse acesso à mensagem. As mãos trêmulas tomavam-me de surpresa.

Cada gesto que fazia era uma surpresa para mim. Cada traço de meus gestos devolvia a mim dados de uma certeza sobre meus sentimentos que não conhecia tanto.

Era certo que o estado em que me encontrava desde o dia que deixei o apartamento em que morava com Alex, meu estado era de semi-vida sem nunca saber o que queria ou o que não queria como se estivesse num estado de anestesia que se negava a passar. Para

quem tomou a atitude de partir, isso não era normal. Se bem que não se pode falar de normalidade nas linhas que regem os sentimentos, sobretudo os sentimentos mais difusos da alma.

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