Sobre o livro
“O abismo entre nós” fala de amor. Não apenas do amor romântico e sensual, próprio dos amantes. Cris Vazquez nos presenteia com um texto elegante onde escreve sobre o amor à literatura, à arte, ao rock e a um ideal a ser perseguido.
Já foi dito, e escritores concordam, sobre a angústia de carregar uma história que quer ser contada. Com Florence não é diferente. E escritores conhecem o limite, o momento da dúvida, em que desistem porque não se sentem mais aptos a criar uma obra relevante. Como acontece com Horácio.
Ao longo do livro, o embate entre Florence e Horácio transforma-se numa analogia do que ocorre dentro da cabeça de um autor.
As frases que estimulam a escrita em abismo, os trechos dos diários, as críticas ácidas, correspondências e as situações de encontros e desencontros entre as personagens são ricos materiais para compreender as nuances que compõem o fazer literário. Vinte anos é muito tempo para quem espera?
E para quem se dedica a uma causa? Por vezes se tem vontade de sacudir Florence, mandá-la longe, exatamente quando queremos negar uma ideia que nos persegue sem encontrar vazão.
Mas é da persistência de Florence que nasce o gosto pela escrita, este sentimento irresistível que nos faz perder dias de sol e noites de sono, testando frases, diálogos e bolando desfechos em frente ao computador, sem que ninguém nos obrigue a isso. Dedicação é a forma mais fiel de amor.
Irka Barrios
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